Um modelo estatístico usado pelo Estadão antecipou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro (PL) quando apenas 2,42% das urnas tinham sido apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A projeção errou por menos de 0,2% no resultado final. Segundo a reportagem, o modelo já indicava o desfecho com menos de 5% da contagem concluída.
A ferramenta foi criada pelo pesquisador Rodrigo Mahlmeister, doutorando em ciência política pela Universidade Duke, nos Estados Unidos. Ele cruzou os resultados do segundo turno de 2022 com os dados do primeiro turno deste ano, considerando o perfil de cada estado e o porte dos municípios. A partir das primeiras urnas, o sistema estimou o comportamento das demais e ajustou as previsões em tempo real.
Segundo o especialista, a principal diferença em relação à apuração do TSE está no método. Enquanto o tribunal divulga os votos à medida que são totalizados, o modelo considera desde o início o resultado das urnas ainda não apuradas. Ele afirmou ao Estadão que o eleitor brasileiro muda de uma eleição para outra, mas de forma sistemática, o que permite identificar padrões. Para ele, o público busca justamente um grau de segurança logo no começo da contagem.
Pelos dados divulgados pelo TSE, Lula teve 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79%, contra 59.826.041 votos do senador Flávio Bolsonaro, com 48,21%. O resultado oficial foi divulgado na noite do domingo da eleição, por volta das 23h26.
Ainda não está claro o alcance do método em outras disputas. A reportagem não detalha a taxa de acerto do modelo em eleições anteriores nem o nível de confiança das estimativas nas fases iniciais da apuração. A confirmação oficial dos votos segue sob responsabilidade do TSE.




