O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso de vitória na noite de domingo (25), em que defendeu a autonomia geopolítica do país e cobrou medidas contra crimes cometidos no ambiente digital. Segundo dados consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula garantiu o quarto mandato no Palácio do Planalto ao virar a disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
No discurso, Lula afirmou que a eleição exigiu vencer a interferência vinda de fora por meio de plataformas digitais. Ele disse que essas empresas precisam ser reguladas e que o crime no ambiente digital deve ser tratado da mesma forma que o crime no mundo físico. Também criticou grandes companhias de tecnologia que, segundo ele, lucram bilhões sem pagar imposto no país e tentam influenciar o resultado eleitoral.
Lula também atacou o adversário e o tom dos debates. Disse que ficou constrangido a cada debate e que nunca imaginou enfrentar um representante desse perfil no país. Afirmou ainda que a eleição foi uma derrota para o negacionismo e para a mentira.
Ao comentar a mobilização nas ruas durante o segundo turno, o petista disse ter ficado emocionado com o entusiasmo dos apoiadores, que cantaram o hino nacional em frente ao Masp, em São Paulo. Ele afirmou que o Brasil não aceita ser 'quintal de ninguém' e defendeu uma política externa que trate todos os países da mesma forma.
O contexto da disputa é inédito na história eleitoral brasileira da era democrática. Lula reverteu a vantagem de Flávio Bolsonaro, que havia liderado o primeiro turno, realizado em 4 de outubro, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do petista. Para virar, foi necessário superar uma diferença superior a 2,2 milhões de votos.
Ainda não há detalhes sobre como será a regulação das plataformas digitais nem sobre a forma de cobrança de impostos das empresas citadas por Lula. O material disponível também não traz a reação formal do adversário ao resultado nem os próximos passos do governo nessas áreas.




