Análise publicada pela Foreign Policy sustenta que a opção menos ruim para Washington na guerra contra o Irã é manter o curso atual. O texto foi assinado por Raphael S. Cohen e Howard J. Shatz, pesquisadores da Rand Corporation.

Segundo o artigo, a guerra já custou aos Estados Unidos 800 baixas, dezenas de bilhões de dólares e centenas de prédios danificados ou destruídos em bases militares na região. O uso de munições também pressiona os estoques. O preço dos combustíveis subiu forte desde o início do conflito e levou a inflação americana a um nível não visto desde 2023.

Pesquisas citadas pelos autores indicam que a maioria dos americanos não acredita que houve motivo suficiente para atacar o Irã, e a oposição à guerra cresceu com o tempo. Não há sinais claros de fim dos combates, já que o regime iraniano segue atacando navios no Estreito de Ormuz e seus aliados regionais seguem em ação.

Três caminhos em discussão

O texto lista três opções. A primeira é intensificar a guerra, com uma campanha de bombardeios em larga escala ou o uso de tropas terrestres. A segunda é encerrar o conflito de forma unilateral. A terceira é manter o bloqueio, a pressão econômica e a resposta militar a ataques, buscando negociações que reabram o Estreito de Ormuz e freiem o programa nuclear.

Para os autores, a terceira via é a mais prudente, embora não traga resultados rápidos. Eles apontam que a economia iraniana está em colapso, com a moeda em forte desvalorização e inflação próxima de 90%. Os estoques flutuantes de petróleo do Irã, que amorteciam o bloqueio, estariam esgotados.

O artigo também reconhece limites. Campanhas econômicas têm histórico misto para derrubar governos, e casos como Cuba e Coreia do Norte mostram regimes que resistiram. Já a tomada da ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas, traria riscos de baixas e dificuldade para manter o território.

Custos de sair da guerra

Segundo a análise, uma retirada unilateral deixaria o Estreito de Ormuz sob controle iraniano, com possibilidade de cobrança de pedágio sobre navios. Os autores avaliam que isso fortaleceria a Guarda Revolucionária e grupos aliados na região, além de reduzir a influência americana em futuras negociações nucleares.

O texto ainda aponta que o Irã mantém laços com Rússia e China, o que poderia se fortalecer após uma eventual vitória percebida sobre Washington. Os autores afirmam que a incerteza sobre o desfecho do conflito permanece, e que o tempo necessário para o bloqueio produzir efeitos é longo.