Autoridades militares nórdicas afirmam que o Mar Báltico, apontado como um "lago da OTAN" após a entrada de Suécia e Finlândia na aliança em 2022, segue instável. Confrontos com a Rússia e interferências em infraestrutura submarina elevaram a tensão a níveis novos.

Em evento em Washington no mês de outubro, o general dinamarquês Peter Boysen, chefe do Exército da Dinamarca, disse que a questão é muito difícil, porque nenhum dos lados quer escalar. Ele defendeu uma resposta equilibrada, capaz de reduzir a tensão sem transformar o que é hoje tido como normal em um novo patamar de intensidade.

Guerra híbrida e sabotagem

A região já era palco de ações híbridas, como desinformação, sabotagem, ataques cibernéticos e violações de território. Segundo a inteligência militar dos Países Baixos, a escala desses atos aumentou desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Um dos casos mais conhecidos é o ataque aos gasodutos Nord Stream, em setembro de 2022. Outros dutos e cabos no Báltico também foram danificados, em episódios que governos ocidentais costumam classificar como sabotagem.

A aliança relata ainda interferência frequente de GPS, mais violações de espaço aéreo por aeronaves russas e mais incursões de drones sobre bases militares e aeroportos. A Rússia nega responsabilidade por esses atos. Líderes da OTAN os associam a esforços de Moscou para desestabilizar vizinhos, em parte como retaliação ao apoio dado à Ucrânia.

Segundo a agência de inteligência de defesa da Dinamarca, a Rússia intensificou o uso de sabotagem e de ataques cibernéticos destrutivos e passou a atacar alvos na Europa com drones. Moscou também tem protegido navios da chamada frota fantasma, usados para driblar sanções, inclusive com navios de guerra que os escoltam pelo Báltico. Esse cenário já levou a confrontos com forças da OTAN.

Em 14 de setembro, uma fragata russa perto da costa dinamarquesa disparou sinalizadores contra um helicóptero militar dinamarquês. O episódio foi citado como o exemplo mais recente e mais grave. Para o general Boysen, a dificuldade está em definir uma resposta que dissuada esse tipo de conduta sem provocar uma escalada.

Para responder às ameaças, a OTAN ampliou a vigilância na região. Em 2024, a Alemanha criou um comando multinacional para coordenar atividades navais, e a aliança lançou em janeiro de 2025 a operação Baltic Sentry, de duração indefinida. Suécia e Finlândia também atuam juntas para monitorar e defender o território, com a Suécia autorizando seus militares a apoiar a Finlândia contra drones.

Ainda não está claro se a estratégia de transparência, defendida por parte da aliança para manter o apoio público, reduzirá a tensão. Outros integrantes temem que expor a ameaça russa apenas amplie o medo e enfraqueça o apoio à Ucrânia. A embaixadora da Finlândia nos Estados Unidos afirmou que deve haver mais ataques híbridos no futuro próximo.