O presidente Lula ainda não se manifestou oficialmente sobre a derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Em conversas com interlocutores, porém, ele afirmou esperar que a relação entre os dois países mude a partir do resultado. Segundo integrantes da equipe do presidente, Lula considera que chegou o momento de o líder americano tratar o Brasil com seriedade.

A expectativa do governo, da diplomacia e da área econômica é que, passada a eleição, Trump oriente sua equipe a avançar de fato em um acordo para reduzir tarifas sobre produtos brasileiros. O Ministério do Desenvolvimento informa que essas tarifas atingem hoje 47,3% das exportações do Brasil para o país. Auxiliares avaliam que a nova composição do Congresso americano, com maioria do Partido Democrata na Câmara e no Senado, poderia favorecer a volta de negociações mais pragmáticas.

Há sinais de aproximação. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversou rapidamente com o chanceler Mauro Vieira em Atlanta, na Geórgia, nesta semana. As partes marcaram um novo encontro bilateral para dezembro, na Flórida, antes da cúpula do G20.

Propostas rejeitadas

Apesar dos contatos pessoais e telefônicos entre Trump e Lula nos últimos dois anos, Washington ainda não apresentou proposta considerada minimamente aceitável pelo Brasil. O primeiro documento oficial enviado ao país trazia 21 exigências, a maioria delas rejeitada pelo governo. Entre os pontos, pedia que dissidentes políticos não fossem presos ou impedidos de disputar a Presidência e que a eleição fosse justa e livre. Para a diplomacia brasileira, o texto buscava interferir em decisões da Justiça, como a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, e criticou o uso de fake news. Reapresentado em janeiro com 14 exigências, o documento também foi considerado inaceitável.

As negociações não impediram nova alta tarifária. Em julho, foram anunciadas sobretaxas de até 37,5%, baseadas em investigações concluídas na Seção 301, mecanismo que permite punir práticas comerciais consideradas desleais pelos Estados Unidos.

Ainda não se sabe se Trump dará aval a um acordo nem qual seria o conteúdo de eventual proposta. Também não está claro se o encontro de dezembro resultará em redução de tarifas.