Parlamentares republicanos do Senado dos Estados Unidos responsabilizam Donald Trump pelo desgaste do partido nas pesquisas às vésperas da eleição de 2026, segundo apuração do The Hill e do Politico. A fissura ficou explícita entre a Casa Branca e a cúpula da bancada, comandada por John Thune.
Segundo as reportagens, a interferência de Trump nas primárias e a impopularidade de sua política tarifária ameaçam a liderança do partido em estados decisivos. Assessores presidenciais teriam pressionado diretórios locais a descartar candidatos com experiência administrativa, substituídos por nomes alinhados ao discurso de confronto com o Judiciário e o sistema eleitoral.
Levantamentos citados pelo RealClearPolitics apontam fuga de doadores e migração de independentes para a oposição. Em Maine, Carolina do Norte, Ohio e Geórgia, a associação com a Casa Branca virou um passivo nos debates finais. Parlamentares em busca de reeleição passaram a retirar a figura do presidente de suas peças publicitárias.
Movimento por autonomia do Legislativo
Sob a liderança de Thune, cresce na Casa um movimento por autonomia do Legislativo. Integrantes de comissões econômicas criticam decretos comerciais unilaterais e preparam projetos bipartidários para devolver ao plenário o controle sobre tratados e alíquotas de importação, segundo a Associated Press. A pauta para 2027 e 2028 deixaria de lado as demandas mais radicais do presidente.
Se os democratas avançarem nas urnas, como indicam as pesquisas, Trump pode perder a proteção parlamentar que teve no primeiro ano. Indicações para agências reguladoras, cortes federais e ministérios passariam por escrutínio rigoroso a partir de janeiro de 2027. Analistas avaliam que um enfraquecimento nas duas Casas limitaria o governo a ordens unilaterais. O desfecho depende das urnas, que ainda não se realizaram.




