Autoridades da Arábia Saudita, do Paquistão e da Turquia estiveram em Teerã e se reuniram com uma delegação iraniana liderada por Mohsen Rezaei, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional. O encontro contou também com o presidente Masoud Pezeshkian e o chanceler Abbas Araghchi.

A presença de representantes das principais instâncias do poder iraniano sugere consenso interno sobre a diplomacia. O encontro terminou com uma declaração conjunta assinada por Rezaei e pelos representantes dos três países, com compromisso genérico de diálogo e de paz e segurança regionais.

O documento é vago, mas indica que Teerã não quer escalar de imediato. Reportagens citadas pela análise também afirmam que a liderança iraniana respondeu de forma positiva a uma carta enviada pelo vice-presidente americano J.D. Vance a Rezaei, na qual defendia a diplomacia.

Rearmamento em paralelo

No mesmo período, o Irã nomeou Mehrdad Akhlaghi como ministro da Defesa. Ele comandou o grupo industrial Shahid Bagheri, ligado ao desenvolvimento de mísseis balísticos de combustível sólido, que são mais fáceis de armazenar e menos vulneráveis à detecção. Antes, liderou a organização aeroespacial e a de indústrias de defesa, que supervisiona a produção de equipamentos militares, inclusive drones.

Akhlaghi substitui Aziz Nasirzadeh, morto nos ataques de 28 de fevereiro. Desde então, a pasta era ocupada de forma interina por Majid Ebn-e-Reza. A mudança marca uma guinada para um perfil ligado aos Guardas da Revolução e ao arsenal de mísseis e drones, que foram degradados por ataques americanos e israelenses.

Em discurso recente, Akhlaghi afirmou que, se o presidente Donald Trump lançar uma única bomba, suas forças deixarão a região "horizontalmente", em referência a corpos. A análise avalia que uma ofensiva desse tipo contra países do Golfo seria exatamente o que a diplomacia buscava evitar.

Cenário incerto em Israel e nos Estados Unidos

Teerã acompanha as eleições em Israel. Segundo a análise, veículos ligados ao gabinete do líder supremo destacaram a posição de Gadi Eisenkot, que se opõe a operações de mudança de regime. O Likud teve a maioria dos votos, mas a coalizão de Benjamin Netanyahu perdeu a maioria, e a formação de governo segue incerta.

Nos Estados Unidos, a eleição de meio de mandato pode limitar a campanha militar contra o Irã se os democratas vencerem. Mas a posse no Congresso ocorreria apenas em janeiro, deixando a Trump uma janela de dois meses para agir sem restrição legislativa.

Ainda não está claro se a diplomacia tem chance real, nem quem governará Israel ou como Trump agirá após as eleições. Por enquanto, o governo iraniano negocia e se prepara para a guerra ao mesmo tempo.