O Irã afirma ter derrubado um drone que parece ser o MQM-170C Outlaw G2, de fabricação americana, praticamente intacto. Um vídeo divulgado pela Guarda Revolucionária Islâmica mostra a aeronave e uma estrutura incomum no topo do nariz. A Guarda diz que o equipamento foi capturado após uma operação de guerra eletrônica ofensiva a oeste do Estreito de Ormuz, quando fazia reconhecimento de defesas aéreas iranianas na costa do Golfo Pérsico.

Não há, até o momento, provas firmes para sustentar essas alegações. Veículos de comunicação ligados ao regime iraniano já divulgaram informações exageradas e não verificadas, o que exige cautela. Ainda assim, as imagens parecem críveis à primeira análise. O porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos, capitão Tim Hawkins, acusou a Guarda Revolucionária de mentir e afirmou que as forças americanas seguem focadas em suas missões, sem confirmar ou negar a perda de algum drone da família Outlaw.

O Outlaw é fabricado pela Griffon Aerospace. Segundo o site da empresa, a versão G2 pode ser configurada como plataforma de testes de carga útil, com autonomia de até oito horas, velocidade máxima de 126 nós e altitude superior a 16 mil pés. Na função de alvo aéreo, a aeronave é usada sobretudo em treinamento e testes militares.

Há um contexto relevante. Em junho, o Exército americano contratou a Griffon por cerca de 68 milhões de dólares para a compra de uma versão de terceira geração do Outlaw. O anúncio inicial do Pentágono citava a Operação Epic Fury contra o Irã, mas essa referência foi retirada depois. Em agosto, outro contrato, de quase 133 milhões de dólares, não mencionou operações contra o Irã.

Também não está claro se o drone capturado é um alvo de treinamento que saiu de controle ou uma aeronave usada em missões reais. A ausência das marcas laranja típicas de alvos aéreos pode ter sido resultado de pintura, mas isso ainda não foi comprovado. Analistas lembram que drones de alvo já foram usados operacionalmente como iscas e para lançar contramedidas, como ocorreu no início da Guerra do Iraque, em 2003.

O cenário é de tensão crescente. Há sinais de que Estados Unidos e Israel podem preparar uma nova grande ofensiva contra o Irã, e estimular as defesas aéreas iranianas ajuda a mapear suas posições. Até agora, o caso permanece sem confirmação independente, e não se sabe se o drone pertencia às Forças Armadas americanas ou se foi recuperado de outra forma.