Os democratas conquistaram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes para os próximos dois anos, em uma virada eleitoral que, segundo artigo de opinião publicado pela Al Jazeera, teve forte ligação com a guerra contra o Irã. O texto expressa a visão do autor, não a posição editorial do veículo.
Segundo o autor, a guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel não foi o único motivo da derrota republicana, mas amplificou insatisfações já existentes. Para ele, o conflito expôs limites militares e reforçou a percepção de que o governo de Donald Trump agiu à margem da lei, já que a Constituição exige autorização do Congresso para declarar guerra.
O ponto mais sentido pelos eleitores, de acordo com o texto, foi o custo de vida. O Irã restringiu a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, o que elevou os preços de combustíveis, alimentos e produtos importados nos Estados Unidos. O artigo cita pesquisa de boca de urna da CBS e afirma que 90% dos eleitores consideraram o custo de vida um fator importante ou decisivo no voto.
O texto também critica a justificativa usada para o ataque, a suposta ameaça de um arsenal nuclear iraniano. Segundo o autor, inspeções e avaliações de inteligência dos Estados Unidos e de organismos internacionais não encontraram evidências dessa ameaça, e a pressão de autoridades israelenses teria pesado na decisão de Trump.
Após a eleição, o vice-presidente JD Vance escreveu nas redes sociais que a derrota teve como causa a guerra. Ele listou quatro demandas de eleitores que se afastaram do partido, entre elas encerrar a guerra, focar no custo de vida e mudar a relação com Israel. Às vésperas da votação, Trump prometeu encerrar a ajuda militar a Israel, de cerca de US$ 4 bilhões, promessa que o autor classifica como insincera, já que os recursos seriam apenas redirecionados.
O artigo afirma ainda que o conflito em Gaza, que o autor descreve como genocídio, teve peso relevante em campanhas de parte dos democratas. As afirmações são do autor e não foram apuradas de forma independente pela reportagem. Ainda não está claro como a nova composição do Congresso conduzirá a política externa dos Estados Unidos em relação ao Irã e a Israel.




