O senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado na eleição presidencial, deixou o Brasil e, segundo veículos europeus, seguiu para os Estados Unidos. As reportagens detalham o caminho da saída: ele cruzou a fronteira terrestre com a Argentina, passou pelo Equador e teve como destino final o território americano. O jornal francês Le Monde afirma que a fuga ocorreu apenas dois dias após a derrota eleitoral.

A revista alemã Der Spiegel associa a viagem às investigações que pesam contra o senador. Segundo a publicação, ele é alvo de duas apurações, uma por lavagem de dinheiro e outra por corrupção. Como o mandato no Senado termina em fevereiro, Flávio perderia a imunidade parlamentar. O irmão dele, Eduardo Bolsonaro, também havia deixado o país rumo aos EUA.

O caso lembra a saída de Jair Bolsonaro para os Estados Unidos após a derrota para Lula em 2022, quando ele também temia a Justiça brasileira. Reportagens citam ainda o ex-chefe da inteligência Alexandre Ramagem, recebido pelo governo americano pouco antes de ser condenado, em setembro de 2025, a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Um ministro do Supremo Tribunal Federal cancelou o passaporte de Flávio, que não entregou o documento à Polícia Federal no prazo. Ele tem cidadania italiana desde 2023.

Segundo o jornal espanhol El País, a Flórida é considerada o destino mais provável, mas ainda não se sabe onde ele está. Há suspeita de que possa estar no Texas, onde vive Eduardo. O Financial Times informa que o governo Trump anunciou a concessão de um visto ao senador, embora ainda não tenha reconhecido formalmente a vitória de Lula. Já a Frankfurter Allgemeine Zeitung relata que o presidente americano quer recebê-lo, mas o próprio senador precisa chegar ao país primeiro.

A reação dentro do PL também chama atenção. A cúpula do partido, que havia reconhecido a vitória de Lula, não teria sido informada da decisão, segundo o jornal alemão. Integrantes do círculo do ex-presidente afirmam que Jair Bolsonaro pretende pedir asilo político nos Estados Unidos e liderar a oposição de lá. Um integrante do governo brasileiro, ouvido de forma anônima, disse que o país não romperá relações com Washington.

Ainda não há confirmação oficial sobre a concessão de asilo ou visto a Flávio Bolsonaro, nem sobre o local exato em que ele se encontra. Também não está claro como as investigações no Brasil avançarão após a saída do senador do país.