O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil nesta terça-feira (27/10) e viajou para os Estados Unidos, segundo fontes ouvidas pela BBC. Derrotado na eleição presidencial de domingo (25/10), ele embarcou horas depois de o prazo para entregar seus passaportes ter terminado, por volta das 12h.
A saída ocorreu após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a apreensão dos passaportes do senador e o proibiu de deixar o país na segunda-feira (26/10). A medida foi tomada em inquérito que investiga suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. O governo de Donald Trump afirmou que concederia visto para a entrada dele com a família.
Segundo a BBC, Flávio já teria se encontrado com o irmão, Eduardo Bolsonaro, na Flórida. Eduardo vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e foi condenado pelo STF por coação no curso do processo. Já Flávio afirmou em vídeo que a decisão se baseou em uma fala de Eduardo, e disse que nunca pensou em sair do país.
Antes de viajar, Flávio se recusou a reconhecer a derrota, mas na segunda-feira sua campanha agradeceu os votos recebidos e afirmou que ele assume a liderança da oposição. O PL reconheceu o resultado. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos. Flávio anunciou que pediria a cassação da chapa do presidente por abuso de poder.
Criminalistas ouvidos pela BBC avaliam que Flávio ainda não pode ser tratado como foragido, pois não há ordem de prisão contra ele. Descumprir a entrega dos passaportes, porém, configura crime de desobediência, com pena de detenção de quinze dias a seis meses, além de multa.
Ainda não está claro qual foi a rota usada pelo senador nem se ele pretende fixar residência nos Estados Unidos. A Polícia Federal acionou autoridades da Argentina, que informaram não haver registro de entrada oficial dele no país. Flávio perderá o foro privilegiado após 31 de janeiro, quando termina seu mandato, mas os inquéritos devem continuar no STF.




