A segunda parte de uma análise publicada pelo portal polonês Defence24 examina a avaliação feita pelos serviços de inteligência da Holanda antes da invasão russa à Ucrânia. O texto trata da AIVD e da MIVD e afirma que a qualidade das fontes não garantiu conclusões corretas.

Segundo o texto, a análise superestimou o potencial militar russo e subestimou a capacidade ucraniana de resistir por longo prazo. A vantagem em número de soldados e equipamentos foi tomada como sinal de vitória rápida, sem medir a capacidade real de usar esses recursos. Falhas de logística, treinamento, liderança e corrupção também teriam recebido pouca atenção.

Do lado ucraniano, a determinação da população e a capacidade de mobilização foram subestimadas. Parte dessa avaliação teria sido influenciada pela comparação com o Afeganistão, onde o governo caiu rapidamente. Segundo a análise, as condições dos dois países eram diferentes.

Prever a guerra e errar o desfecho

A análise separa dois erros possíveis: prever que a guerra ocorreria e acertar o seu resultado. Segundo o texto, é possível antecipar uma invasão e, ao mesmo tempo, errar a previsão sobre como ela evoluiria. O material cita o livro de Richard Heuer Jr. sobre a psicologia da análise de inteligência e os relatórios das comissões Robb-Silberman, sobre armas no Iraque, e Chilcot, sobre o caso britânico, como referências para entender como hipóteses prévias reduzem o peso de dados contrários.

No caso holandês, o sucesso na obtenção de informações pode ter gerado excesso de confiança. Um acesso valioso, somado a uma interpretação aceita, faz com que novos dados apenas reforcem a mesma conclusão. O texto também cita a posição de destaque dos serviços em um ranking da revista francesa L'Express e uma reconstrução feita pelo jornal holandês De Volkskrant.

O texto ainda menciona uma entrevista de Marek Łapiński, ex-chefe do Serviço Wywiadu Wojskowego da Polônia, publicada pela Radio Wnet em 15 de maio de 2025. Segundo a relato, o serviço polonês teria produzido análises que previram corretamente o início da invasão. O material não detalha essas análises.

Ainda não está claro quanto do acesso holandês chegou de fato às decisões mais importantes do governo. A análise também deixa em aberto como os serviços distinguem o que não sabem do que consideram improvável.