A colunista Miriam Leitão afirma que a luta democrática também se dá na economia e que um erro de diagnóstico nessa área pode ser fatal para o novo governo Lula. Segundo ela, há uma discussão dentro do Planalto que pode levar a esse erro, ao tentar evitar o que ocorreu no início do segundo governo Dilma, quando a inflação subiu e o PIB entrou em forte recessão.
Ela diz que parte do governo atribui aquele problema ao ajuste tentado em 2015, sob o ministro Joaquim Levy, enquanto outro grupo aponta os erros acumulados no primeiro mandato de Dilma, na gestão de Guido Mantega. Para a colunista, o segundo grupo tem razão, pois o problema é a doença e não o remédio.
O contexto fiscal
Segundo o texto, entre 2010 e 2014 as distorções se acumularam, com preços de energia represados, indicadores fiscais maquiados, bancos públicos usados para financiar o Tesouro e contabilidade criativa para esconder o rombo. A situação atual, afirma ela, está longe da de 2014, mas também exige correções.
A coluna cita que o subsídio ao diesel já custa mais de R$ 50 bilhões e que as despesas anunciadas na campanha ainda não foram dimensionadas nem incluídas no orçamento. Ela também aponta aumento forte da dívida no terceiro mandato de Lula.
Miriam Leitão observa que o país está em pleno emprego e que a menor taxa de desemprego da série histórica foi divulgada na sexta-feira anterior ao texto. Mesmo assim, famílias seguem apertadas pelas dívidas, o que exige ajudar os endividados sem estimular novos empréstimos.
Juros, meta de inflação e dívida
Na visão da colunista, mudar a meta de inflação para forçar queda dos juros não funcionaria e aumentaria a desconfiança sobre a gestão fiscal, elevando os juros exigidos na rolagem dos títulos. Ela também afirma que forçar o crescimento não reduziria a dívida pública e que o governo precisa sinalizar equilíbrio das contas.
O texto cita o caso dos Estados Unidos, onde Donald Trump culpou Jerome Powell e, após indicar Kevin Warsh, esperou queda dos juros, que subiram nas duas primeiras reuniões. Para a colunista, o problema era a inflação provocada pela guerra contra o Irã, não o presidente do Banco Central.
O que ainda não se sabe
A coluna defende que Lula nomeie um político, não ligado ao mercado financeiro, com capacidade de diálogo com o Congresso e poderes para formular a política econômica e fiscal. O texto não informa se essa nomeação foi feita nem quem seria o escolhido.
Miriam Leitão afirma ainda que os derrotados na última eleição não tinham proposta coerente de ajuste fiscal e que a queda da dívida no governo Bolsonaro não se deveu a virtude fiscal. A análise é de opinião da colunista e não traz dados adicionais sobre o cenário futuro.




