O Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou a retomada da fabricação de uma liga binária, material usado na construção de armas nucleares. Segundo a pasta, a produção estava sem linha ativa há cerca de 20 anos. A Administração Nacional de Segurança Nuclear (NNSA) qualificou o Complexo de Segurança Nacional Y-12, em Oak Ridge, no Tennessee, para voltar a produzir o material.

A liga serve para fabricar invólucros que envolvem os componentes essenciais de uma arma nuclear. Depois do fim da Guerra Fria, em 1991, e dos cortes no orçamento de defesa, os Estados Unidos reduziram a produção ativa de armas e passaram a depender de um estoque limitado de liga produzida anteriormente.

Como é a liga

Uma liga binária combina dois elementos químicos, em geral fundindo-os no estado líquido. Ligas apresentam propriedades diferentes das de seus metais base. No caso das armas nucleares, a composição é projetada para resistir às condições extremas de uma detonação. A formulação exata é classificada por motivos de segurança nacional, e o Departamento de Energia não explicou o processo de fabricação.

O Y-12 foi criado em 1943, como parte do Projeto Manhattan, para enriquecer urânio usado nas primeiras bombas atômicas. Urânio produzido em Oak Ridge foi empregado na bomba Little Boy, lançada sobre Hiroshima em agosto de 1945. Após a Segunda Guerra, a unidade passou a fabricar, manter e desmontar componentes de armas. Hoje também fornece urânio enriquecido, sobretudo para submarinos e porta-aviões de propulsão nuclear da Marinha americana. A instalação é operada pela NNSA e administrada pela empresa Consolidated Nuclear Security.

Segundo o Departamento de Energia, especialistas dos laboratórios de Lawrence Livermore, na Califórnia, e de Los Alamos, no Novo México, avaliaram o processo de fabricação e os materiais finalizados antes da aprovação. O administrador da NNSA, Brandon Williams, vinculou a decisão aos investimentos do governo Trump na infraestrutura de armas nucleares.

Ainda não há informações públicas sobre o volume da produção, o cronograma de entregas ou o ritmo previsto para atender às exigências do Departamento de Defesa. Também não foram detalhados os custos da retomada. A fonte não explica como a liga é feita, o que mantém sem resposta parte central do processo.