Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na terça-feira em eleições legislativas de meio de mandato que vão definir o controle do Congresso. O pleito ocorre com Donald Trump a dois anos do fim de seu segundo mandato e com o Partido Republicano em situação desfavorável.

A principal preocupação dos eleitores é o custo de vida. Os preços de alimentos e combustíveis subiram, em parte por causa das tarifas agressivas do presidente e da guerra com o Irã, considerada impopular. Trump tem registrado os menores índices de aprovação de sua gestão nos últimos meses, apesar de ter feito dezenas de comícios pelo país.

Um sinal de alerta para os republicanos é o investimento milionário em propaganda em estados que tradicionalmente são seguros para o partido, como o Kansas. A analista Carrie Dann, do Cook Political Report, afirmou à BBC que esse gasto mostra que a legenda se sente ameaçada.

Contexto econômico e político

O preço do diesel passou de 3,75 dólares, antes do início da guerra em fevereiro, para um recorde de 6,52 dólares em setembro. A inflação subiu de 3% no início do governo Trump para 3,7%, e economistas avaliam que o índice seria menor sem as tarifas globais.

Estrategistas republicanos temem perder cadeiras em estados como Texas, Ohio e Kansas, onde Trump venceu com folga na eleição presidencial de 2024. Eleitores ouvidos em Iowa afirmaram estar insatisfeitos com os preços, mas disseram não pretender trocar de lado. Pesquisas indicam aprovação de cerca de 38% para Trump, enquanto apenas 29% dos eleitores veem o Partido Democrata de forma positiva.

Caso os democratas vençam a Câmara, poderão abrir investigações contra o governo e tentar processos de impeachment contra integrantes do gabinete, como o secretário de Defesa Pete Hegseth. Já o Senado é considerado mais difícil de conquistar, pois exige ganho líquido de quatro cadeiras.

O que ainda não se sabe

Muitas disputas para o Senado estão dentro da margem de erro das pesquisas. As corridas mais disputadas estão em Michigan, Texas, Ohio, Iowa, Maine, Alaska e Carolina do Norte. Historicamente, as pesquisas superestimaram os democratas e subestimaram Trump.

Ainda não está claro como o presidente reagirá a uma derrota. Ele já questionou a integridade e a segurança das eleições, e não se sabe se fará o mesmo durante a contagem dos votos ou após a divulgação dos resultados.