Os republicanos do presidente Donald Trump conseguiram redesenhar mapas eleitorais em vários estados e ganharam condições favoráveis em nove distritos a mais do que os democratas. A disputa pela Câmara dos Representantes ocorreu nesta terça-feira (3), mas a expectativa ainda é de derrota para o partido na briga pela maioria do Congresso.

O mecanismo usado é o chamado gerrymandering, em que os distritos eleitorais são desenhados para favorecer um partido. Em geral, os mapas são revistos a cada dez anos, com base nos dados de novos censos. Mudanças fora desse prazo, porém, se tornaram comuns e foram intensificadas no governo Trump.

A disputa começou em 2025, quando aliados de Trump no Texas, estado governado pelos republicanos, propuseram alterar o mapa. Em resposta, democratas da Califórnia, governada por Gavin Newsom, apresentaram uma mudança própria para compensar possíveis ganhos republicanos.

Em abril, uma decisão da Suprema Corte que barrou a tentativa de alteração na Louisiana restringiu a Lei dos Direitos de Voto. Na prática, estados podem usar a composição racial da população como critério para desenhar distritos, o que favorece os republicanos.

Ao todo, o redesenho republicano criou 15 distritos com vitória considerada fácil em sete estados. Os democratas ampliaram seis distritos favoráveis na Califórnia e em Utah. Em seis estados, as mudanças foram barradas por disputas políticas ou na Justiça.

Segundo análise do jornal The New York Times, 204 distritos tendem a eleger democratas e 181 a eleger republicanos, enquanto 17 têm resultado imprevisível. Como a maioria simples exige 218 deputados, o cenário ainda pode virar. Dezesseis desses distritos imprevisíveis deram vitória a Trump em 2024, o que pode levar a uma virada democrata.

Pesquisa da NBC News e da Telemundo indica que 59% dos eleitores latinos preferem um Congresso democrata, contra 35% dos republicanos. A aprovação de Trump entre esse grupo é de 27%, e levantamentos gerais mostram desaprovação do governo perto de 30%, em níveis recordes.

Outra pesquisa, da Gallup, mostra que apenas 43% dos eleitores acham que o deputado de seu distrito merece ser reeleito, o menor índice desde 1994. Ainda não está claro quanto desse desgaste se converterá em votos concretos nas urnas.