O Partido Democrata venceu as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas em 3 de novembro, e tirou dos republicanos o controle da Câmara e do Senado. A vantagem da oposição foi de cerca de 13 pontos percentuais no cômputo geral, com comparecimento recorde. Os democratas conquistaram mais de 260 cadeiras na Câmara, acima das 218 necessárias para comandar a casa, e ao menos 54 dos 100 assentos no Senado.
O resultado surpreendeu o presidente Donald Trump, que chegou à metade do mandato com a aprovação na faixa dos 30%, a mais baixa desde o governo de Harry Truman. Analistas ouvidos pela revista Veja atribuem a derrota a uma combinação de pressão sobre os preços, impulsionada pelas tarifas sobre importações e pela guerra contra o Irã, que elevou os preços da gasolina e do diesel, além da percepção de que o presidente prioriza interesses próprios. A votação foi tratada como um plebiscito sobre o governo e sobre a figura de Trump.
Contexto e poder de Washington
Com a maioria na Câmara, a oposição passa a controlar orçamentos e comissões com poder de convocar integrantes do governo para depor. Os senadores democratas podem atrasar nomeações de ministros e juízes federais. Um novo processo de impeachment, o terceiro contra Trump, também foi mencionado como possibilidade. Os democratas são liderados na Câmara por Hakeem Jeffries e no Senado por Chuck Schumer.
Trump respondeu nas redes sociais e em entrevistas, atribuindo a derrota à imprensa e a candidatos que ele mesmo escolheu. Ele afirmou que pretende usar o poder de veto contra projetos aprovados pelo Congresso, embora tenha admitido que poderão ser feitos acordos. Especialistas lembram que presidentes em situação parecida costumam buscar protagonismo na política externa, área em que o Executivo tem mais autonomia.
No exterior, o foco aponta para o Oriente Médio, para a guerra entre Rússia e Ucrânia, com um encontro de representantes dos dois países e dos Estados Unidos previsto para os próximos dias, e para a América Latina. No caso do Brasil, a mudança em Washington gera apreensão e cálculo, já que o país é alvo frequente das tarifas de Trump e o governo Lula iniciou os trâmites da Lei da Reciprocidade.
Ainda não está claro se Trump vai recuar nas tarifas, diante da inflação que contribuiu para a derrota, ou se manterá o protecionismo como bandeira. Também não se sabe como o presidente vai reagir a investigações anunciadas pela oposição, nem qual será o peso de sua influência sobre o Partido Republicano na disputa de 2028, na qual aparecem nomes como o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.




