A derrota por ampla margem do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos colocou em dúvida o futuro das guerras conduzidas por Donald Trump. Os conflitos no Irã e na Ucrânia, somados ao uso enérgico da força na América Latina, atravessam agora um período considerado decisivo.
Em 3 de janeiro, um novo Congresso, controlado pelos democratas e hostil à Casa Branca, assume o mandato. A mudança deve dificultar, sem impedir, a atuação militar do presidente. A nova legislatura poderá fiscalizar de forma permanente as decisões do Executivo e até elevar o risco de um processo de impeachment.
No Irã, a principal preocupação é a possibilidade de a guerra voltar a se ampliar. Movimentações militares iranianas nas últimas semanas e a retórica de prontidão de Teerã aumentam a tensão. Analistas avaliam que Trump precisa encerrar o conflito para preservar seu plano político, mas pode também escalá-lo para tentar apresentar um resultado vitorioso.
Na Ucrânia, as negociações entre Rússia e Ucrânia, mediadas pelos Estados Unidos, devem ser retomadas na próxima semana em Abu Dhabi. Como não há ação militar direta americana no conflito, a posição de Trump fica mais sujeita ao Congresso. Há ainda o temor de nova ofensiva russa contra o setor energético ucraniano antes do inverno europeu, em dezembro.
Na América Latina, o novo Congresso poderá tentar limitar os efeitos práticos da Estratégia de Segurança Nacional. O governo americano celebrou a captura de Nicolás Maduro em janeiro, mas a reeleição de Lula contrariou os planos do secretário de Estado, Marco Rubio, de manter a região politicamente alinhada. Há o risco de a iniciativa Escudo das Américas seguir o caminho de órgãos regionais criados na onda de governos de esquerda dos anos 2000, como a Unasul.
Ainda não se sabe se a nova composição do Congresso conseguirá avançar com a proposta de limitar os poderes de guerra do presidente, nem como ficará o orçamento de defesa de US$ 1,15 trilhão previsto para o ano fiscal de 2026-2027. Trump já sinalizou que pode vetar decisões contrárias a seus interesses, o que exigiria maioria de dois terços para derrubar o veto.




