Um grupo de 25 deputados democratas enviou carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo esclarecimentos sobre a concessão de vistos a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e à sua família. O envio ocorreu na quinta-feira (29), a poucos dias das eleições legislativas americanas, marcadas para terça-feira (3).

O senador deixou o Brasil depois de perder o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disputado no domingo (25). Ele viajou com a esposa e as filhas, passando por Argentina e Equador antes de chegar a Miami, na quarta-feira (28). A saída ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a entrega de seus passaportes e impor restrições para deixar o país. Flávio nega as acusações de corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos que embasam as investigações.

Segundo a agência Associated Press, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou que o senador e seus familiares receberiam vistos. O presidente Donald Trump também disse que os receberia, mas não apresentou provas de fraude ao questionar o resultado da eleição brasileira. Depois, a administração republicana não endossou a tentativa de Flávio de se apresentar como vencedor do pleito.

Críticas ao tratamento dado a estrangeiros

Os democratas usam o caso para criticar a política migratória do governo. Enquanto refugiados de países em conflito, como Sudão e Haiti, enfrentam restrições de entrada, o senador brasileiro obteve autorização para ingressar no território americano. O deputado Joaquin Castro, do Texas, afirmou que perder uma eleição não é motivo para asilo.

A carta pede informações sobre quem autorizou os vistos, quando foram emitidos e se o Departamento de Estado sabia das restrições judiciais impostas pelo STF. Os parlamentares também querem saber se houve apoio logístico em voos, transporte e acesso a aeroportos, além de possível atuação de agentes americanos na Argentina e no Equador. O prazo para respostas por escrito é 13 de novembro.

A deputada Pramila Jayapal afirmou que, se os democratas conquistarem a maioria na Câmara, pretendem investigar a atuação do governo Trump e da empresa Meta no processo eleitoral brasileiro. Ela também criticou as dúvidas levantadas por Trump sobre a eleição vencida por Lula.

O que ainda não se sabe

Não há resposta oficial do Departamento de Estado à carta, e ainda não se sabe o conteúdo das informações que serão enviadas após a eleição. Também não está claro se os democratas terão força para abrir as investigações anunciadas.

Segundo a jornalista Fernanda Magnotta, da CNN Brasil, o caso entrou na disputa eleitoral americana, mas ainda não há sinais de mudança mensurável nas intenções de voto. O pesquisador Vitor dos Santos Bueno, da Universidade de Brasília, avaliou que o episódio pode reforçar críticas já existentes a Trump, mas dificilmente terá papel decisivo na eleição.