O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na quarta-feira (28/10), ele publicou no X uma mensagem em que se apresentava como o verdadeiro presidente do Brasil e afirmava haver fraude eleitoral, sem apresentar provas. Depois, apagou o texto e publicou outro, quase igual, em que se diz líder do país.
Flávio afirmou que vai liderar a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos. Ele disse que pretende apresentar uma estratégia para mobilizar apoiadores por meios pacíficos e legítimos. A saída do país ocorreu depois de o ministro do STF Alexandre de Moraes determinar a apreensão do passaporte do senador, a pedido da Polícia Federal, em inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro. Flávio nega as acusações e fala em perseguição política.
O resultado foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelos principais partidos, incluindo o PL. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que não apoia a contestação do resultado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou comentar a declaração de Flávio e afirmou que o governo americano concedeu visto a ele.
Analistas são céticos quanto à capacidade de Flávio de liderar o movimento de fora do país. O cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, da FGV, avalia que a atuação dos irmãos nos Estados Unidos não deve ter apoio da maioria da sociedade. Já a pesquisadora Daniela Costanzo, do Cebrap, afirma que o bolsonarismo se organiza como um partido digital e deve continuar forte, ainda que a liderança de Flávio fique enfraquecida.
Há ainda outros nomes apontados como possíveis lideranças, como Tarcísio de Freitas, Michelle Bolsonaro, que estreia no Senado em 2027 pelo Distrito Federal, e Nikolas Ferreira, deputado federal reeleito por Minas Gerais. Carlos Bolsonaro e Jair Renan também devem chegar ao Congresso em 2027, por Santa Catarina, mas especialistas consideram difícil que assumam a liderança do campo.
Ainda não está claro como o movimento se reorganizará, nem se a estratégia de atuar a partir dos Estados Unidos terá alcance no Congresso e nas ruas. Também não se sabe quando a investigação contra Flávio será concluída. Para o cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o momento pode abrir espaço para uma direita menos radicalizada.




