Advogados do senador Flávio Bolsonaro (PL) não conseguem falar com ele há mais de 30 horas, segundo apuração da CNN. O último contato registrado ocorreu em uma conversa na segunda-feira (26). Na noite de terça-feira (27), o senador cruzou a fronteira com a Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou a passagem em nota nas redes sociais. Às 22h50, Flávio entrou no país com a esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as filhas. Segundo o órgão, a comitiva apresentou documentação de viagem e não havia impedimento legal para a entrada.

Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, o grupo embarcou em um voo privado da empresa Baires Fly S.A. com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo. Quando a informação oficial foi divulgada, por volta das 2h, o senador já havia deixado o território argentino.

O passaporte de Flávio estava cancelado por decisão judicial. Ele deveria entregar o documento à Polícia Federal após intimação, o que não ocorreu. Segundo a apuração, a PF cancelou o passaporte pelo sistema na manhã de terça-feira. Para cruzar a fronteira com a Argentina, é possível usar apenas o RG.

Uma parlamentar argentina apresentou denúncia penal na Justiça Federal de Porto Iguaçu. Ela afirma que o senador entrou de forma clandestina e que um jato com matrícula argentina o aguardava para voar aos Estados Unidos, mas a decolagem teria sido barrada pela ANAC argentina. O governo argentino afirmou inicialmente que Flávio nunca havia entrado no país, versão depois contradita pelo comunicado de migrações.

Segundo a CNN, as informações desencontradas podem ter feito parte de uma estratégia para despistar autoridades e a imprensa. Ainda não está claro o destino final da viagem nem como fica a situação do senador no Brasil.