A Direção Australiana de Sinais (ASD), agência de cibersegurança do país, afirmou nesta terça-feira (27) que a inteligência artificial representa uma ameaça sem precedentes. Segundo a instituição, governos estrangeiros já usam a tecnologia para invadir redes de computadores e infraestrutura crítica.

No relatório anual sobre ameaças cibernéticas, a agência disse que modelos de IA, que evoluem rapidamente, podem trazer grandes benefícios quando usados para fins legítimos. O documento também foi elaborado com apoio de algumas ferramentas de IA.

Ainda segundo o texto, nos últimos meses a tecnologia passou a ajudar criminosos e hackers ligados a Estados a lançar ataques em uma escala maior do que a já registrada. Para a ASD, a IA foi o fator decisivo no cenário de ameaças do último ano, ao permitir que agentes mal-intencionados encontrem falhas com mais rapidez e as explorem com mais sofisticação.

Aumento de incidentes

A agência emitiu mais de 4.400 alertas sobre atividades potencialmente maliciosas no último ano. O número representa alta de 80% em relação aos 12 meses anteriores.

O relatório também aponta que hackers ligados à China, à Rússia e à Coreia do Norte tiveram como alvo a Austrália ou seus aliados nos últimos meses.

A preocupação global com o poder das ferramentas avançadas de IA cresceu após uma série de episódios envolvendo modelos de empresas líderes, como a OpenAI e a Anthropic. No mesmo mês, governos e empresas corrigiram falhas críticas no PHP, linguagem de programação usada por grande parte dos sites do mundo. Essa vulnerabilidade foi identificada com o uso de um modelo potente da OpenAI.

O material divulgado não detalha quais ataques foram bem-sucedidos nem quais sistemas foram afetados. Também não está claro quantos dos alertas resultaram em incidentes confirmados.