A rota do senador Flávio Bolsonaro (PL) entre Brasília e a Argentina ainda não foi esclarecida pela Polícia Federal. As lacunas no trajeto alimentam boatos em Foz do Iguaçu, no Paraná, e aumentam a pressão sobre a corporação para dar respostas.

Segundo o governo argentino, Flávio e a família cruzaram a ponte internacional Tancredo Neves na noite de terça-feira (27) e, na sequência, embarcaram em um jato particular com destino ao Equador. Antes da saída, ele havia publicado um vídeo dizendo ter sido intimado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes a entregar o passaporte e a garantir que não fugiria.

Entre as hipóteses estão viagens de carro, uso de pistas particulares e ajuda da comunicação do governo de Javier Milei, todas sem provas. A investigação se concentra em três aeródromos particulares próximos à fronteira e também em Cascavel, a 142 km de Foz do Iguaçu. Um voo executivo partiu de Brasília no período, mas, segundo um agente, não era o da família.

Moradores repetem a versão, veiculada pela TV argentina C5N, de que o senador ficou em uma fazenda da região antes de cruzar a fronteira. Há inúmeras propriedades rurais ao redor do aeroporto, e várias funcionam como hotéis-fazenda. A cidade também já foi usada como rota por bolsonaristas com problemas na Justiça, como Carla Zambelli, que está na Itália, e Silvinei Vasques, capturado no Paraguai.

Na aduana brasileira, o posto de controle não fiscaliza veículos que seguem para a Argentina. A PF informou não haver registro oficial de saída do congressista pelos postos migratórios brasileiros e afirmou que não tinha poderes para prender ou monitorar Flávio, já que não havia medidas cautelares impostas pela Justiça.

A imprensa argentina divulgou imagens de uma van de uma agência de turismo brasileira que seria usada na fuga. A empresa negou ter feito o transporte. A reportagem da Folha foi ao endereço registrado na Receita Federal e constatou que a empresa não funciona no local.

O que ainda não se sabe

Não há confirmação sobre o trajeto completo entre a casa em Brasília e o aeroporto de Porto Iguaçu, nem sobre onde a família esteve entre segunda e terça-feira. A PF ainda não tem respostas para essas lacunas, e as hipóteses em circulação seguem sem comprovação.