O mercado financeiro teve forte reação negativa na segunda-feira (26), primeiro dia útil após a eleição do segundo turno, vencida por Lula. Operadores e analistas apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro, e a surpresa foi grande. O dólar abriu em alta de 8,65%, cotado a R$ 5,42. O Ibovespa caiu mais de 10%, e a B3 precisou interromper os negócios com o acionamento do circuit breaker.

Ao longo do dia, a queda na Bolsa chegou a 14%. No fechamento, o índice recuou 13,88%. O Tesouro Nacional recomprou R$ 7,067 bilhões em títulos prefixados (NTN-F) em leilão, o que reduziu as taxas de juros dos contratos privados. Já o Banco Central atuou no câmbio com leilões de swap cambial, que injetaram US$ 3,75 bilhões no mercado futuro de dólares. Com isso, a alta da moeda perdeu força e o dólar chegou a R$ 5,41 às 12h30.

Risco-Brasil e taxas

O Risco-Brasil, indicador que mede a percepção de investidores sobre o risco de aplicar no país, subiu quase 27% pela manhã. Em eleições anteriores, a expectativa de mudança costumava levar à queda das taxas. Desta vez, o efeito foi o oposto, segundo a reportagem.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo deve promover ainda este ano uma mudança na lei ou até na Constituição para buscar o centro da meta fiscal. Segundo ele, a equipe avalia se é possível fazer mais ou menos contingenciamentos de despesas para cumprir o Orçamento com alterações que permitam atingir o centro da meta.

A meta fiscal de 2027 é de 0,50% do PIB, o equivalente a R$ 73,2 bilhões, com limite de tolerância inferior positivo de R$ 36,6 bilhões. O projeto de Orçamento enviado ao Congresso em agosto previa superávit de R$ 83,4 bilhões, mas o valor cairia para R$ 18,6 bilhões com as mudanças já discutidas. Durante a campanha, o governo também teve o Orçamento de 2027 ampliado em R$ 39,8 bilhões.

Ainda não está claro como a equipe econômica vai renegociar valores com o Congresso Nacional nem quais medidas serão adotadas para conter gastos. Também pesam sobre as contas medidas que só terão efeito em 2027, como o aumento do teto do MEI, que reduz a arrecadação em R$ 1,57 bilhão, e o perdão de dívidas do programa, tratado pela Receita Federal como custo tributário de R$ 12 bilhões.