O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve fazer remanejamentos no primeiro escalão do governo nas próximas semanas. Segundo petistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, a tarefa será difícil porque muitos aliados de peso perderam eleições nos estados e ficaram sem mandato.
O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, é apontado como principal cotado para a Casa Civil. Guilherme Boulos pode permanecer na Secretaria-Geral, mas também há especulação sobre sua ida para o Ministério das Cidades. Wellington Dias, Vinícius Carvalho e Wellington César podem deixar o governo. Dias tem mandato de senador, e seu retorno ao Senado fortaleceria a bancada governista.
Nomes em disputa
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, deve ser mantido. Em seu discurso de vitória, Lula citou o nome dele ao falar em continuar a revolução do SUS. Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, é cotado para a Fazenda, mas teria de deixar o cargo para assumir. Geraldo Alckmin também aparece nos bastidores como possível nome para a equipe econômica. Sidônio Palmeira, da Secom, não deve permanecer, e Laércio Portela é o mais cotado para a vaga.
André Janones, deputado federal que teve papel importante na mobilização digital da campanha, deve ser contemplado, possivelmente com uma estrutura própria de trabalho e acesso facilitado ao presidente. João Campos, presidente do PSB e derrotado ao governo de Pernambuco, aparece como o integrante do partido com mais chance de ocupar um cargo.
Há também um grupo grande de aliados derrotados, entre eles Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Simone Tebet, Marina Silva e Eduardo Paes. Haddad era o principal cotado para a Casa Civil, mas perdeu em São Paulo para Tarcísio de Freitas, e o cenário mudou. Renan Filho, que tem mandato de senador, é citado para a liderança do governo no Senado e também para a Fazenda.
Pressão do Congresso
O espaço para acomodar aliados ficou mais apertado porque a oposição bolsonarista ganhou força no Congresso. Com isso, a tendência é que Lula divida poder com partidos que não o apoiaram na campanha. Arthur Lira foi eleito senador e pode se tornar um obstáculo para o grupo de Renan Filho. Os nomes de Davi Alcolumbre e Hugo Motta para as presidências do Senado e da Câmara também são prioridade do grupo governista, e ambos devem participar da montagem do primeiro escalão.
Ainda não se sabe quais mudanças serão oficializadas, quando serão anunciadas nem quais nomes ocuparão cada pasta. As informações são de bastidores e de avaliações de aliados, sem confirmação oficial até o momento.




