Israelenses foram às urnas na terça-feira em uma das maiores taxas de comparecimento das últimas décadas. As primeiras pesquisas de boca de urna indicam leve vantagem para a oposição, mas sem maioria no Parlamento.

Segundo os principais institutos, o bloco de oposição, liderado pelo ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot, deve conquistar entre 52 e 53 cadeiras. O bloco de Benjamin Netanyahu teria 50. Os partidos árabes israelenses tiveram ganhos expressivos, com estimativa de 17 ou 18 cadeiras somadas.

A maioria exige 61 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento. Como nenhum bloco chega lá, o presidente Isaac Herzog deve indicar o candidato com mais chances de formar governo, que não é necessariamente o partido com mais votos. Pelas projeções iniciais, o Likud, de Netanyahu, teria a maior bancada.

Há quatro cenários possíveis. O primeiro é uma coalizão, que exige negociações longas e pode gerar governos instáveis. Na eleição anterior, de novembro de 2022, Netanyahu levou 58 dias para montar seu governo.

O segundo é um governo minoritário, apoiado caso a caso por outros parlamentares. Nesse cenário, os partidos árabes podem ter papel decisivo. O Raam, liderado por Mansour Abbas, já integrou um governo israelense entre 2021 e 2022. A Lista Conjunta disse que dificilmente entraria em uma coalizão, mas ofereceu apoio para tirar Netanyahu do poder.

O terceiro é um governo de unidade nacional, considerado improvável diante da forte polarização. Ele excluiria partidos árabes e ultraortodoxos. Em 2020, Netanyahu e Benny Gantz firmaram um acordo de divisão de poder, que durou cerca de um ano.

O quarto cenário é o impasse, com novas eleições. Se nenhum candidato formar governo, o país voltará às urnas. Entre abril de 2019 e março de 2021, Israel realizou quatro eleições. Ainda não se sabe o resultado final, que pode mudar as projeções iniciais.