Cinco dias após o debate na Band, a TV Globo realizou seu próprio encontro entre Flávio Bolsonaro e Lula com regras mais restritas. Segundo a análise publicada pela Folha, a emissora conseguiu baixar a temperatura do embate, que até então era considerado um dos momentos mais baixos da história política recente do país.
O apresentador César Tralli conduziu o debate com tom formal, limitando-se a informar regras e tempos de fala, sem explicar as decisões que penalizaram os candidatos em casos de direito de resposta. A Globo disponibilizou checagem de fatos em tempo real na internet, mas não esclareceu ao telespectador da TV as mentiras ditas ao vivo.
Ataques e fuga de perguntas
Sites de checagem registraram grande número de informações falsas ou imprecisas. Flávio Bolsonaro liderou esse levantamento, repetindo o que já havia ocorrido no primeiro debate. Ele adotou postura mais contida que na Band, fugiu menos das perguntas e foi menos agressivo, mas manteve as afirmações contestadas.
Flávio Bolsonaro se referiu aos "nove dedos" do presidente e, após cobrança de Lula, pediu desculpas pela fala considerada preconceituosa. Lula, por sua vez, fez piadas com os espectadores e disse que o adversário havia feito "decoreba". Também houve troca de acusações sobre um uísque e uma ilha citada pelo jogador Richarlison.
As regras limitaram a circulação dos candidatos pelo palco, permitida apenas no último bloco, quando cada um teve oito minutos. Segundo a análise, esse bloco repetiu os piores momentos do debate da Band, com acusações sobre familiares, quebra de sigilo bancário e respostas evasivas, sem esclarecimento sobre os temas.
Ainda não está claro se o formato mais controlado terá efeito sobre o eleitorado a dois dias da votação. A análise não trata de pesquisas de opinião, e as respostas às acusações feitas no debate dependerão de apurações e manifestações posteriores dos envolvidos.

