Colunistas e editores da Folha avaliaram, em debate ao vivo transmitido pela TV Folha neste domingo (25), a atuação do Judiciário no segundo turno das eleições presidenciais. O foco foi a demora do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, em responder a um pedido do PT para ampliar o horário de votação em cidades com problemas de transporte, como Salvador e São Paulo.

Segundo os participantes, o pedido foi apresentado às 13h e ficou sem decisão até as 16h. Nesse intervalo, Nunes Marques determinou que o TRE da região se manifestasse antes de decidir. Mais tarde, o ministro do STF Cristiano Zanin prorrogou a votação em duas horas.

O professor de direito constitucional da USP Conrado Hübner Mendes classificou a conduta de Nunes Marques como burocrática. Ele afirmou que a decisão monocrática de Zanin gerou confusão, e que os resultados devem ser contestados por quem perder.

O editor-executivo da Folha Vinicius Mota comparou o cenário com 2022, quando Alexandre de Moraes presidia o TSE. Naquele pleito, Moraes controlava o colegiado e falava por ele, o que, segundo Mota, não ocorre agora. Ele também questionou se Zanin tinha as informações necessárias para medir o impacto da prorrogação.

Na mesma discussão, a colunista Bianca Santana afirmou que a situação abre espaço para que o lado derrotado questione o resultado. Para ela, o episódio reforça a necessidade de confiança nas instituições.

A repórter especial Patrícia Campos Mello disse que será preciso analisar os índices de abstenção nas cidades afetadas, sobretudo São Paulo e Salvador, para medir o efeito real dos problemas de transporte. Ainda não há dados de comparecimento para essa avaliação.

Em outra frente do mesmo dia, economistas da série de debates discutiram os desafios fiscais que o eleito deverá enfrentar a partir de 2027. Samuel Pessôa afirmou que o gasto público cresceu 21% nos quatro anos do governo Lula, contra 11% de crescimento da economia. A repórter Idiana Tomazelli comentou sinais contraditórios da equipe de Flávio Bolsonaro sobre cortes de gastos. O resultado da apuração ainda não era conhecido no momento dos debates.