O Quênia confirmou sua segunda morte por ebola, a primeira epidemia da doença registrada no país. A vítima é uma mulher de 65 anos, parente próxima do primeiro paciente, um homem que viajou da República Democrática do Congo. Ela morreu após ser colocada em quarentena, informou o Ministério da Saúde.

Segundo o ministério, outros sete pacientes recebem tratamento em dois centros de isolamento. Entre eles estão três parentes do primeiro caso, três profissionais de saúde e um funcionário de limpeza de hospital. Todos os casos estariam ligados a um mesmo grupo, sem sinais de transmissão comunitária.

O primeiro óbito ocorreu em 5 de outubro. O homem adoeceu em setembro, passou por diversos hospitais na República Democrática do Congo e morreu dias depois de chegar a Nairóbi, capital queniana.

Contexto regional

A epidemia começou na República Democrática do Congo em maio e já causou mais de 4 mil mortes na África, o que a torna a segunda mais letal já registrada. Os Estados Unidos recomendaram que seus cidadãos evitem viajar ao Quênia, e países vizinhos como Uganda, Etiópia e Somália estão em alerta.

Desde então, o governo queniano passou a exigir formulário digital de vigilância e QR code de viajantes vindos de República Democrática do Congo e de outros nove países considerados de alto risco. Aeronaves desses países também passam por triagem sanitária reforçada. Dentro do país, as autoridades pedem que casos suspeitos sejam comunicados rapidamente e orientam sobre lavagem das mãos e distanciamento de doentes.

A doença é causada por um vírus raro, da espécie Bundibugyo, para a qual não há vacina nem tratamento aprovados, embora existam testes em andamento. A transmissão ocorre pelo contato com fluidos corporais infectados, como sangue e vômito.

O que ainda não se sabe

A ministra da Saúde da Nigéria, Ali Pate, afirmou que o único caso confirmado no país parece ter ligação genética com uma cepa identificada antes no Quênia. Não há, por enquanto, evidência de que o paciente queniano tenha viajado à Nigéria, e novos testes seguem em andamento, com alguns resultados negativos e outros pendentes. Autoridades investigam se os dois casos cruzaram caminhos, já que ambos passaram pelo Aeroporto Internacional de Entebbe, em Uganda, no início do mês.