O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, afirmou que quatro corpos entregues a forças especiais enviadas ao Haiti não são dos quatro militares salvadorenhos desaparecidos. Segundo ele, uma organização não governamental levou os restos mortais a um aeroporto haitiano e disse tratar-se de quatro técnicos da força aérea de El Salvador.

Bukele afirmou que um dos corpos era de uma criança e que outro vestia farda de um exército estrangeiro. Ele disse que havia entre os restos documentos de identidade e uniformes de outros países. Entre as imagens publicadas por ele, está a identidade de um integrante da Força de Supressão de Gangues (GSF) e um documento nacional do Chade, país africano.

Os quatro homens faziam parte da GSF, força apoiada pela ONU para enfrentar a violência de gangues no Haiti. Eles voltavam ao acampamento em um veículo blindado quando foram atacados em Croix-des-Bouquets, área controlada por grupos armados. Nenhum grupo reivindicou o ataque até agora.

Antes da declaração de Bukele, o jornal New York Times havia informado, com base em pessoas próximas à missão salvadorenha, que os corpos encontrados no sábado nos arredores de Porto Príncipe poderiam ser dos desaparecidos. Segundo o jornal, os restos estavam muito queimados e exigiriam exame médico para identificação. Uma fonte citada pelo jornal disse que a identidade exibida por Bukele pertencia a um soldado que a perdera após ser ferido.

O Haiti vive há anos sob violência de gangues, agravada desde o assassinato do presidente, em 2021, que deixou o país sem uma liderança política estável. A força multinacional tem dificuldade para entrar nas áreas dominadas pelos criminosos. Segundo a ONU, mais de 5.700 pessoas foram mortas ou feridas por gangues ou em operações contra elas entre 1º de janeiro e 11 de setembro deste ano.

Bukele disse que a missão tinha como objetivo principal realizar evacuações médicas e salvar vidas. As Forças Armadas de El Salvador afirmaram que helicópteros foram enviados e que tentativas de chegar ao local foram dificultadas por combates na região. Ainda não se sabe a identidade dos corpos nem o paradeiro dos quatro militares, e a identificação depende de exames.