O mercado financeiro passou a apostar na manutenção da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para esta quarta-feira (4). Antes do segundo turno, a maioria dos agentes esperava mais um corte de 0,25 ponto percentual em novembro. Agora, as opções de Copom negociadas na B3 indicam probabilidade implícita de 68,8% de a taxa básica seguir em 13,75% ao ano.
A mudança de cenário ocorre após a vitória do presidente Lula, somada a riscos inflacionários internos e externos. Segundo analistas, o resultado eleitoral aumentou a dúvida sobre a condução fiscal do próximo governo, o que pesa sobre câmbio, prêmios de risco e expectativas de inflação.
O Itaú Unibanco e o HSBC projetam manutenção da Selic. O HSBC afirma que é improvável que surjam medidas claras para conter gastos públicos antes das reuniões de novembro e dezembro, e que as expectativas de inflação de médio e longo prazo devem piorar. O banco vê a Selic em 13,75% até o fim de 2026.
O BTG Pactual também avalia que o Banco Central deve manter os juros, classificando a pausa como a decisão mais prudente em um ambiente de incerteza elevada. Já o Inter e o ASA ainda veem um corte de 0,25 ponto em novembro, com pausa possível em dezembro.
O pano de fundo externo também pesa. A continuidade das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio pressiona os preços do petróleo e dos combustíveis. O Itaú BBA afirma que o cenário internacional passou de incerto para adverso.
Ainda não se sabe se o Copom vai cortar ou manter a taxa. A comunicação do Banco Central deve ser determinante para a leitura do mercado, sobretudo sobre a política fiscal e a inflação, que deve subir e ficar acima da meta, segundo projeções de instituições como o C6 Bank.




