A líder da oposição venezuelana María Corina Machado voltou ao país após mais de dez meses no exílio. Em uma publicação na rede X, no domingo, ela afirmou estar de volta e junto aos seus apoiadores. Antes, ela havia tentado retornar em outras ocasiões, sem sucesso.
No domingo, Machado participou de uma missa em uma igreja no estado de Lara, cercada por apoiadores. Depois, seguiu para Caracas em uma caravana, sob aplausos de pessoas que se alinhavam ao longo da estrada. Já à noite, ao entrar na capital, foi fotografada sorrindo enquanto aparecia pelo teto solar de um carro.
O aliado Edmundo González, que disputou a eleição presidencial de 2024 no lugar dela, confirmou a chegada e disse que se juntará a ela em breve. Em 2024, a oposição afirmou que González havia vencido a votação, enquanto o órgão eleitoral, alinhado ao governo, declarou Maduro vencedor sem divulgar os dados detalhados da apuração.
O contexto é marcado por mudanças expressivas. Em janeiro, os Estados Unidos capturaram Maduro, que está preso em Nova York e responde por acusações de tráfico de drogas, posse de armas e tortura. Ele se declarou inocente. Depois disso, a vice Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina, com apoio do governo Trump, e firmou um acordo petrolífero considerado vantajoso para os Estados Unidos.
Machado venceu as prévias presidenciais independentes de 2023, com mais de 90% dos votos, mas foi impedida pelo governo de Maduro de disputar cargos públicos, sob acusações de fraude e de infrações tributárias que ela negou. Um assessor afirmou em setembro que ela havia tentado voltar sete vezes, sem êxito. Há relatos de que os Estados Unidos atrasaram seu retorno, versão que o governo americano nega.
O secretário de Estado Marco Rubio atribuiu o retorno às negociações de reconciliação apoiadas pelos Estados Unidos, que já levaram à libertação de centenas de presos políticos. Já o porta-voz de Machado, David Smolansky, classificou a volta como um passo importante para uma transição democrática. Ainda não está claro quais serão os próximos passos da líder, que já afirmou que disputará a presidência caso haja eleição.




