O ex-chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos Greg Bovino, que se tornou o rosto público da controversa operação de deportação em Minneapolis, defendeu a ação e classificou a retirada dos agentes da cidade como uma "rendição" do governo Trump. Em entrevista à BBC, ele disse que o governo "jogou a toalha" e afirmou que as deportações estão em um "ponto morto virtual".
Bovino foi afastado do cargo logo após a morte a tiros de dois cidadãos americanos em janeiro: Renee Good e Alex Pretti. Os dois casos foram filmados e provocaram reação de políticos de ambos os partidos e protestos em todo o país. Depois disso, Trump disse que iria "desescalar um pouco" e retirou centenas de agentes de imigração da cidade, cerca de 700 segundo a reportagem.
Em outubro, a família de Renee Good entrou com duas ações civis contra o governo Trump. Uma delas cita diversos altos funcionários, entre eles Bovino e Jonathan Ross, o agente que atirou em Good. Os advogados da família disseram que Bovino fazia "propaganda" e afirmaram que aguardam os depoimentos dos réus. A Casa Branca classificou os processos como "infundados".
Ao ser questionado sobre o processo, Bovino disse não estar respondendo à ação e afirmou que "as pessoas entram com processos o tempo todo". Ele também lamentou não ter atuado com mais força em Minnesota e prendido mais imigrantes ilegais. Segundo ele, os agentes foram as "verdadeiras vítimas" da violência enfrentada na missão.
Sobre as mortes, Bovino rejeitou a ideia de que as imagens contradizem a versão de que Good e Pretti pretendiam ferir os agentes. Trump, que inicialmente atribuiu a Good a responsabilidade pela própria morte, depois a chamou de "tragédia" e admitiu que agentes poderiam cometer erros.
Bovino foi aposentado da Patrulha de Fronteira e agora faz campanha por medidas mais duras de imigração. Ele disse à BBC que pode considerar uma candidatura presidencial em 2028, mas não detalhou planos. Também não explicou os motivos de sua saída, dizendo que a pergunta deveria ser feita ao governo. Ainda não está claro o desfecho dos processos civis nem quando ocorrerão os depoimentos.




