Na região de Alora, na província de Málaga, a britânica-húngara Henrietta Szovati e o marido, Ajmal Masroor, transformam uma antiga fazenda em um espaço chamado House of Andalus. O projeto busca aproximar as pessoas da história islâmica do sul da Espanha e da natureza. O casal comprou a propriedade em 2024, depois de sete anos de busca, e investiu boa parte das economias no local.

A propriedade tem cerca de 400 oliveiras em 14 hectares. Entre os planos estão um jardim corânico, com plantas citadas no livro sagrado, uma biblioteca, programas educativos e retiros de arte e de casais. Henrietta afirma que as portas estão abertas a muçulmanos e não muçulmanos.

Herança de al-Andalus

Entre os séculos VIII e XV, governantes muçulmanos dominaram parte da Península Ibérica. O território, chamado al-Andalus, deixou palácios, fortalezas, azulejos e sistemas de irrigação, como as acequias. A queda de Granada, em 1492, encerrou esse período. Segundo o historiador Tharik Hussain, autor de Muslim Europe, os vestígios dessa época ajudam muçulmanos europeus a ver a fé como parte da história do continente.

Em Granada, a Grande Mesquita, inaugurada em 2003 diante do Alhambra, foi resultado de quase duas décadas de arrecadação, disputas judiciais e campanhas. Já nas Alpujarras, montanhas ao sul de Granada, a região foi palco da resistência morisca no século XVI, reprimida com massacres e expulsões entre 1609 e 1614.

Os entrevistados relatam uma convivência cotidiana tranquila, mas a reportagem registra que o partido de extrema direita Vox faz da oposição à imigração e à chamada islamização da Espanha um eixo central de sua campanha. Segundo a matéria, isso levanta dúvidas sobre até onde esse sentimento de pertencimento é seguro.

Ainda não está claro como o projeto da House of Andalus se sustentará financeiramente, nem quais efeitos as tensões políticas terão sobre comunidades muçulmanas na região. A reportagem também não detalha o número de muçulmanos que vivem na área.