Os Estados Unidos vão eleger um novo Congresso em poucos dias. Em uma série especial, o Jornal Nacional percorreu estados que devem definir a maioria na Câmara e no Senado. Um deles é Iowa, onde a disputa está tão acirrada que o resultado é tratado como imprevisível.

Esses estados indefinidos são chamados de tossups, termo usado para locais em que a chance de vitória de cada partido é quase igual. Em outros estados, um dos lados está muito à frente e a vitória já é considerada certa. Ao todo, 35 cadeiras do Senado estão em disputa nesta eleição.

Iowa tem economia fortemente agrícola, e as propriedades rurais ocupam 85% do território. O estado se tornou majoritariamente republicano na última década, mas foi afetado diretamente pelas medidas recentes do presidente Donald Trump, o que reabriu a competição local.

Entre os entrevistados, uma família de produtores de soja e milho ilustra o cenário. Dois irmãos tocam a fazenda, que está na quinta geração. Um deles vota no Partido Republicano, e os tios, no Partido Democrata, de oposição. Eles afirmam que não concordam em tudo, mas dizem que a relação familiar tem prioridade.

A guerra tarifária afetou em especial os produtores de soja dos Estados Unidos. A China, que era um dos principais compradores, passou a aplicar tarifas sobre produtos americanos e reduziu as compras. Nesse vazio, o Brasil ampliou as vendas de soja ao mercado chinês. Depois, Trump negociou com Pequim uma trégua para retomar a compra do produto americano.

Os agricultores também relatam custos mais altos. Segundo a reportagem, o preço do diesel subiu cerca de 70% desde o início da guerra no Oriente Médio, e os produtores tentaram se proteger comprando combustível com meses de antecedência.

Ainda não está claro como o eleitorado rural de Iowa vai responder ao impacto das tarifas e dos preços de combustível. O resultado depende da votação, que ainda não ocorreu.