Os democratas aparecem em posição favorável para retomar o controle da Câmara dos Representantes e, possivelmente, do Senado nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. A aprovação do presidente Donald Trump está no menor nível já registrado para um presidente nessa fase do mandato, e a guerra no Irã, impopular entre os eleitores, elevou o preço da gasolina.

Mesmo assim, o Partido Democrata também é mal avaliado pelo público. Pesquisas citadas pela reportagem mostram que os eleitores veem o partido apenas um pouco melhor que os republicanos, com saldo desfavorável. Analistas dizem que essa rejeição pode ser decisiva caso os republicanos mantenham a liderança no Congresso.

Institucionalistas contra reformistas

Por trás da disputa eleitoral há um conflito sobre a identidade do partido. De um lado estão os institucionalistas, que defendem mudanças graduais. Do outro, reformistas que pedem transformações profundas. A divisão apareceu com força nas primárias e não foi resolvida após a desistência de Joe Biden em 2024, que levou Kamala Harris à candidatura.

Na saúde, a discussão opõe propostas para reduzir custos diretos para quem já tem seguro a defensores de um sistema público nacional e gratuito. Pesquisas indicam que a maioria dos democratas apoia o modelo, mas há quem queira preservar planos privados. Os custos médicos subiram acima da inflação nos últimos anos.

Israel também divide o partido. Em Michigan, o candidato Abdul El-Sayed, crítico da ofensiva em Gaza, venceu as primárias locais e reaproximou eleitores árabe-americanos que haviam se afastado. Outros democratas, porém, temem que essa postura aumente o antissemitismo e afaste judeus do partido.

Analistas divergem sobre o caminho vencedor. Parte deles avalia que as vitórias democratas dependerão de candidatos de centro, como Roy Cooper, na Carolina do Norte, e Mary Peltola, no Alasca. Outros afirmam que a ala à esquerda, reunida em torno de grupos como os Socialistas Democratas da América, ganhou força nas primárias.

Ainda não está claro se a disputa interna terá continuidade após a votação. Especialistas preveem que as facções vão reivindicar o crédito por qualquer resultado e que a corrida pela candidatura presidencial de 2028 deve se intensificar. A corrupção, tema levantado por Jon Ossoff na Geórgia, também surgiu como uma questão central para os eleitores.