Um artigo publicado pela revista The National Interest sustenta que o governo de Donald Trump precisa reconhecer o tipo de guerra que trava contra o Irã. Segundo o texto, a hipótese de novos ataques americanos e as declarações de Trump sobre "aniquilar" o país levantam uma dúvida central: trata-se de uma guerra de aniquilação ou de desgaste?

O autor recorre à distinção feita pelo historiador militar prussiano Hans Delbrück, há mais de um século. Estratégias de aniquilação buscam destruir a capacidade militar do adversário e exigem forte presença de tropas terrestres. Já a guerra de desgaste busca minar a vontade de resistir por meio da violência, de pressões econômicas e políticas, e vence quem cansa primeiro.

Desgaste dos dois lados

Para o autor, os EUA recorreram ao desgaste depois que o plano inicial de derrubar os aiatolás e a Guarda Revolucionária falhou. Entre as medidas citadas estão o bloqueio naval às exportações de petróleo iranianas pelo Estreito de Ormuz e o endurecimento das sanções financeiras.

Do lado iraniano, o texto afirma que Teerã adota a mesma lógica, por ser o lado mais fraco. A estratégia evitaria grandes batalhas e buscaria causar danos a alvos militares e civis americanos e aliados, esperando que Washington se canse. Segundo o artigo, mesmo as aberturas ocasionais para negociar fariam parte desse cálculo.

O texto lembra que, desde 1945, os EUA travaram cinco grandes guerras. Apenas a do Golfo, em 1991, teria sido vencida de forma decisiva. As demais, Coreia, Vietnã, Afeganistão e Iraque, terminaram em derrota ou empate. Para o autor, a experiência histórica indica que a estratégia iraniana pode funcionar.

Dois caminhos possíveis

O artigo descreve dois cenários. No primeiro, Trump abandonaria boa parte dos objetivos americanos para sair do conflito, possivelmente depois de uma última rodada de ataques para melhorar um acordo final. Nesse caso, o Irã poderia retomar o programa nuclear e a produção de mísseis balísticos, além de manter o controle sobre Ormuz.

No segundo, o presidente ampliaria os ataques a alvos de energia e infraestrutura civil, sem fechar acordo enquanto Teerã não aceitar as exigências dos EUA. Segundo o autor, essa opção só se sustenta se Washington evitar baixas e custos financeiros altos e preservar o fluxo de petróleo da região.

Para Chanis, a estratégia atual é frágil sem mais apoio doméstico. Ele defende que Trump reconheça a natureza prolongada do conflito e apresente um caminho claro para a vitória, com objetivos priorizados e a explicação de como alcançá-los. O texto não detalha quando nem como esse anúncio poderia ocorrer.