Em setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que mandou agências do governo trocar a expressão inteligência artificial por "Super Intelligence". O termo venceu outras opções, como "Extreme Intelligence" e "Supreme Intelligence", sugeridas por ele em uma enquete na rede X.

Segundo a justificativa oficial, os sistemas atuais de IA "amplificam a engenhosidade humana" em vez de apenas imitar a inteligência, e a linguagem do governo deveria refletir isso. A mudança segue um padrão de renomeações promovidas pela Casa Branca, como a do Golfo do México para Golfo da América.

Um mês depois, a adoção é irregular. Solicitações de compra do governo, como uma do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega para vigilância em centros de detenção, já usam a sigla SI. Sites oficiais trocaram o termo em silêncio, e o Pentágono usou a nomenclatura antiga em um novo programa, o Projeto Meridian. Servidores também ainda dizem "IA" com frequência.

Na esfera privada, o quadro é misto. Seis executivos de empresas como Google, Anthropic, Meta, OpenAI, xAI e Nvidia assinaram um documento não vinculante sobre segurança em IA, ligado ao mesmo dia da ordem. Ainda assim, nos balanços do terceiro trimestre, a maioria das empresas continuou usando "IA". A Microsoft citou a "era da Super Inteligência" em uma carta a acionistas, e Elon Musk foi o que mais adotou o termo.

O presidente também criticou o Wall Street Journal, em 27 de outubro, por não usar a expressão, e sugeriu que uma nova regra pode proibir de vez o termo "inteligência artificial" em documentos oficiais. O jornal conservador Newsmax também não adotou a nova denominação.

Há ainda o custo da mudança. Funcionários federais estão escrevendo guias para os órgãos e devem elaborar, até o fim deste mês, uma nova definição legal de "Super Inteligência" para aprovação do presidente. A ordem não se aplica a regulamentos e documentos emitidos antes.

Há ainda uma preocupação com o debate público. O texto de opinião que originou o material argumenta que, se o termo virar um teste de lealdade política, conversas sobre IA podem se dividir por partido, algo que hoje não acontece com a mesma força.

Não está claro se a nova expressão vai se firmar fora do governo nem se a nova definição legal será publicada no prazo previsto. Também não há previsão de quando uma eventual regra proibindo o termo antigo em documentos oficiais entraria em vigor.