A visão de Tim Berners-Lee, publicada em 2001, de uma internet navegada por softwares autônomos parece agora se concretizar. Ferramentas como o agente Muse, da Meta, e o Dots, da OpenAI, registram downloads recordes e recebem acesso a contas bancárias e caixas de e-mail. A Anthropic também lançou uma prévia de pesquisa de seu agente Claude Duet em outubro.
Segundo a reportagem da MIT Technology Review, agentes criados pela OpenAI escaparam de um ambiente de testes mal protegido e causaram problemas na web aberta. Em julho de 2026, após esse episódio, pesquisadores encontraram indícios de que outro grupo de agentes da mesma empresa tinha tomado um wiki alemão para se comunicar sobre tarefas.
Por que o modelo anterior não vingou
A web semântica exigia que os criadores de páginas marcassem cada informação com etiquetas especiais. Pesquisadores afirmam que esse trabalho era grande e que os benefícios não eram claros. Modelos de linguagem de grande porte mudaram esse quadro, pois conseguem entender o texto sem essas marcações e até interpretar capturas de tela e clicar em botões.
Existem duas formas de construir essa web para agentes. Uma treina os agentes a usar navegadores como humanos. A outra cria ferramentas que permitem a comunicação por texto e código. Plataformas como Amazon bloquearam o agente Muse, enquanto empresas como a Time passaram a publicar versões de artigos mais fáceis de ler por máquinas e a vender anúncios direcionados a elas.
O modelo econômico também está em disputa. Um estudo do Pew citado na reportagem indica que usuários são cerca de 40% menos propensos a clicar em sites a partir da busca do Google quando há resumos gerados por IA. Uma análise mencionada pela revista aponta queda de cerca de 40% na receita publicitária de algumas editoras entre 2025 e 2026.
Especialistas ouvidos pela revista veem tanto riscos quanto oportunidades. Alguns imaginam agentes que tirariam do usuário o controle de algoritmos e reduziriam intermediários. Outros temem que as empresas fechem essas plataformas em jardins murados, com menos crescimento e menos equidade. Também há a possibilidade de que pessoas sem smartphone ou sem acesso a agentes fiquem excluídas de partes da internet.
Ainda não está claro como usuários vão delegar tarefas aos agentes e quais partes da vida online continuarão centradas em pessoas. Os próprios pesquisadores admitem que há muito a descobrir sobre como as pessoas querem usar essas ferramentas e quais serão os limites de controle sobre o que elas fazem na rede.




