As tarifas impostas por governos ocidentais para proteger marcas tradicionais têm um efeito inesperado. Com limites à importação de carros novos, consumidores europeus e canadenses passaram a procurar o mercado de usados, onde encontram elétricos chineses recentes com preços até 40% inferiores.

Na União Europeia, as taxas podem chegar a 45,3% sobre elétricos a bateria novos. Os veículos usados não estão sujeitos às mesmas barreiras aduaneiras, o que os torna uma alternativa competitiva.

Segundo a China EV Marketplace (CEVM), empresa que importa e exporta esses automóveis, as vendas de usados para clientes na União Europeia cresceram 280% em comparação com o mesmo período do ano anterior, chegando a 7.900 unidades até setembro. A isenção de taxas para elétricos usados e a fuga às novas quotas para híbridos plug-in mudaram a estratégia da empresa, que agora se concentra quase só no mercado de segunda mão.

Catálogo cresce e preços caem

O catálogo da CEVM reúne mais de 2.600 veículos usados de marcas como BYD, Geely e Zeekr, atualizado quase todos os dias. A equipe da empresa em Xangai procura ativamente essas oportunidades e encontra com frequência carros com cerca de 6.000 quilômetros rodados. O desconto médio sobre o preço de venda original na China fica perto de 40%.

A forte desvalorização se explica pelo próprio mercado chinês, onde a novidade é muito valorizada e novos modelos e atualizações surgem em ritmo acelerado. O resultado é um fluxo contínuo de elétricos recentes, com baixa quilometragem, a preços que marcas europeias como a Volkswagen dificilmente conseguiriam igualar.

Ainda não está claro qual será o efeito dessa tendência sobre as vendas de carros novos na Europa e no Canadá, nem como os governos pretendem responder. As fontes também não trazem dados sobre o volume total do mercado de usados nesses países.