Um artigo de opinião publicado pelo jornal O Globo afirma que a eleição brasileira mostrou o peso das plataformas digitais e das redes sociais. Segundo o texto, a desinformação formou a maior bancada do Parlamento, comparada às bancadas do agro, da Bíblia e da bala.
O colunista Luiz Claudio Latgé, jornalista, sustenta que o país entrou na chamada era da pós-mentira. Ele cita o termo pós-verdade, escolhido palavra do ano pelo Dicionário de Oxford em 2014, e lembra que a eleição de 2018 já havia sido decidida nas redes sociais.
Segundo o autor, os deputados mais votados atuaram com temas criados nas próprias redes, como a proibição do aborto, que já é proibido, e a promessa de acabar com banheiros unissex. Para ele, a agenda de segurança, desemprego e fome ficou em segundo plano.
Algoritmos e negócio da desinformação
O texto cita a pesquisadora Marie Santini, do NetLab UFRJ, que estuda o tema. Para ela, segundo o artigo, os algoritmos não são neutros e favorecem o pensamento de extrema direita. A desinformação, nessa leitura, é um negócio movido por empresas de tecnologia.
O colunista também associa big techs à política internacional. Ele menciona o apoio financeiro do empresário Elon Musk à campanha do presidente dos Estados Unidos Donald Trump e afirma que Trump acompanhou a eleição brasileira, aplicou sanções contra o Brasil e o Judiciário e concederá visto de permanência a Flávio Bolsonaro, que deixou o país após a derrota para Lula.
Ao descrever a disputa, o artigo fala em guerra entre o chamado Exército do Lula e a Tropa do Flávio, travada no ambiente das notícias falsas. Segundo o texto, algumas mentiras já circulavam nas redes anos antes, como a suposta produção de filme de Oliver Stone sobre Lula e a suposta cassação da Padroeira Nossa Senhora Aparecida.
O que segue em aberto
O artigo afirma que a regulação das plataformas digitais ainda é necessária e urgente, mas não informa se há projeto em andamento ou prazo para votação. O texto também não detalha medidas concretas contra as empresas citadas.
A deputada eleita Ana Elisa, do PT de Belo Horizonte, é citada pelo colunista ao dizer que as redes decidiram a eleição. Para o autor, quem ganhou foram as big techs, e não o bolsonarismo nem o PT.




