A Dell Technologies não considera as posições dos governos um obstáculo determinante para a expansão da inteligência artificial. Segundo Luís Gonçalves, presidente da companhia para a América Latina, a demanda das empresas por ganhos de produtividade deve seguir impulsionando os investimentos, independentemente do cenário político.

Em entrevista à Época NEGÓCIOS, o executivo afirmou que a empresa busca manter neutralidade diante das disputas políticas, concentrando esforços em soluções e no atendimento aos clientes. Ele disse que as questões políticas tendem a ser acomodadas ao longo do tempo dentro do contexto de negócios.

Para Gonçalves, a aceleração da tecnologia é guiada sobretudo pela demanda do mercado. Ele reconheceu, porém, que as empresas não devem ignorar as decisões dos governos e que o setor privado precisa entender as demandas dos agentes públicos.

Da experimentação à implementação

A perspectiva da Dell para 2027 é de aceleração dos investimentos em IA, com empresas saindo da fase de testes para a implementação em escala. Segundo o executivo, essa mudança já se tornou perceptível ao longo de 2026. As conversas com clientes deixaram de questionar se a tecnologia gera resultados e passaram a tratar de como implementá-la com rapidez, segurança e controle.

O planejamento, no entanto, segue como ponto de atenção. Gonçalves afirmou que muitos projetos experimentais foram feitos sem estratégia prévia para expansão caso dessem certo. A governança dos dados também exige avanços em segurança, rastreabilidade e controle sobre os sistemas.

Os custos de infraestrutura pressionam as decisões. Uma pesquisa da consultoria IDC, feita a pedido da Dell, aponta que 57% das companhias do país já usam a tecnologia em escala. Além disso, 45% monitoram o consumo, mas não têm práticas estruturadas para otimizar gastos, e 93% esperam aumento no volume de tokens processados nos próximos 12 meses.

Mesmo assim, o executivo considera improvável que as empresas interrompam investimentos em tecnologia, já que a infraestrutura digital é central para as operações. Também citou a América Latina e as pequenas e médias empresas como mercados promissores, com equipamentos compactos capazes de executar modelos de IA localmente.

Ainda não há detalhes sobre quais modelos de negócio devem surgir nem sobre o efeito concreto das mudanças políticas nos investimentos. A empresa afirma esperar surpresas com inovações de companhias atuais e com novas empresas que possam desafiar as incumbentes.