A inteligência artificial já faz parte do trabalho, da educação e das relações pessoais. Diante da conveniência que oferece, cresce a dúvida sobre o custo dessa dependência. Para o cientista comportamental Trent Cash, da Universidade de Waterloo, no Canadá, a resposta está entre dois extremos: de um lado, a ideia de que a IA torna as pessoas preguiçosas e pouco inteligentes; de outro, o temor de que leve a civilização à ruína.

A maior parte dos sistemas atuais se baseia em aprendizado de máquina, técnica em que um algoritmo aprende a executar tarefas a partir de exemplos ou experiência. Esse processo já permitiu que computadores superassem pessoas em algumas atividades.

O custo de delegar o pensamento

Segundo o texto, a lógica do "usar ou perder", ligada ao conceito de neuroplasticidade, indica que delegar sistematicamente à IA tarefas que exigiam esforço cognitivo pode reduzir o pensamento profundo. Com o tempo, competências como resolução de problemas, pensamento crítico e criatividade tenderiam a enfraquecer, já que deixam de ser treinadas e a pessoa aceita respostas prontas sem questioná-las.

Cash afirma que o receio de um declínio generalizado da inteligência humana tende a ser exagerado. Ele usa a imagem de um "canivete digital" para descrever a ferramenta, que não faria as pessoas perderem a capacidade de pensar. Para ele, os seres humanos são resilientes e o cérebro não se degradaria de forma abrupta.

O ponto central, segundo o cientista, é o engajamento. Quando a pessoa se mantém ativa ao usar a IA, aprendendo com o feedback ou com os exemplos recebidos, a ferramenta pode aprimorar habilidades em vez de substituí-las.

O que ainda não está claro

O material consultado não detalha quais estudos sustentam a lista de competências afetadas, nem quantifica o tamanho do efeito sobre a população. Também não se sabe, pelas informações disponíveis, quanto tempo de uso intenso seria necessário para provocar perdas mensuráveis. A determinação de quando uma IA alcança o nível da inteligência humana, por sua vez, é descrita como muito difícil, sem uma resposta definitiva.