Chen Guoqing, de 31 anos, um chefe de golpes cibernéticos de origem chinesa, foi sequestrado na madrugada de 23 de julho na zona econômica especial de Colombo Port City, capital do Sri Lanka. Segundo o relatório policial obtido pela OCCRP e pelo jornal Sunday Times, um grupo de mais de uma dúzia de homens o levou à força, e um deles portava uma pistola.
Ele foi levado a uma área rural a mais de 70 quilômetros a leste de Colombo, torturado até a morte e abandonado. O assassinato e a busca pelos responsáveis tiveram ampla cobertura da imprensa local.
Identidades falsas
A polícia recuperou dois passaportes com o nome da vítima, cada um com um nome diferente: um do Camboja, em nome de Chen Hao, e outro do Suriname, em nome de Tao Guoqing. Segundo a reportagem, jornalistas identificaram o nome real cruzando o passaporte cambojano com registros públicos de naturalização e mudança de nome publicados no Diário Oficial do Camboja.
O nome verdadeiro não consta do relatório policial e nenhum dos apelidos havia sido divulgado pela imprensa local.
Contexto
As autoridades locais afirmam que Chen tinha envolvimento em alto nível com atividades criminosas internacionais e que foi morto por uma disputa de dinheiro com outros criminosos. Há temor no Sri Lanka de que o país se torne uma nova base para sindicatos asiáticos que aplicam golpes online sofisticados contra vítimas em todo o mundo.
Brian Hanley, diretor para Ásia-Pacífico da Global Anti-Scam Alliance, afirmou que o caso mostra a vulnerabilidade do país à infiltração de sindicatos que fogem da repressão em polos tradicionais do Sudeste Asiático, como o Camboja. Segundo ele, a fiscalização é fraca.
Reportagem da OCCRP e do Sunday Times aponta que, apesar de mais de mil prisões amplamente divulgadas, o Sri Lanka não conseguiu condenar nenhuma pessoa por usar o país como base para golpes online contra estrangeiros.
O que ainda não se sabe
A polícia prendeu cinco cidadãos chineses pelo crime e procura outros três suspeitos, que acredita terem deixado o país. Não há informações públicas sobre a identidade desses suspeitos nem sobre o andamento dos processos contra os presos.




