Empresas de tecnologia deverão captar volumes maiores de capital para atender à demanda gerada pelo avanço da inteligência artificial. A avaliação foi feita na terça-feira por líderes financeiros globais, que também alertaram para o risco de uma correção no mercado.
Segundo Jon Gray, presidente da Blackstone, a demanda por poder computacional está muito acima da oferta. Ele falou em um encontro de investidores em Hong Kong e disse que a maioria das grandes empresas do setor deve recorrer a mais financiamento. Gray citou ainda as necessidades energéticas dos centros de dados.
O cenário se soma a semanas de pressão sobre as ações de tecnologia no mundo. Investidores têm reagido às dúvidas sobre os gastos com IA, que devem somar mais de US$ 730 bilhões neste ano, ante cerca de US$ 700 bilhões no anterior.
Alertas sobre avaliações e volatilidade
David Solomon, CEO do Goldman Sachs, afirmou que empresas sólidas ainda devem conseguir captar recursos, mas que o crescimento do setor pode gerar volatilidade. Daniel Pinto, vice-presidente do JPMorgan, disse ser otimista, porém avaliou que o mercado precifica um crescimento de receita e lucro muito acentuado para essas companhias, o que pode levar a uma correção.
Peng Zhao, diretor executivo da Citadel Securities, afirmou que a escala dos valores e a novidade da tecnologia dificultam a avaliação correta por parte de investidores. Ted Pick, CEO do Morgan Stanley, disse que os mercados americanos mostram sinais iniciais de correção, com a maioria das ações nos principais índices em queda de quase 10%.
Um relatório da S&P citado no debate previu que seis grandes empresas dos Estados Unidos gastem mais de US$ 7 trilhões em data centers e outros investimentos ligados à IA entre 2025 e 2030, com fluxo de caixa livre negativo ao menos até o próximo ano.
Captação em alta na Ásia e no crédito
Na região Ásia-Pacífico, a captação de empresas de tecnologia mais que triplicou nos três primeiros trimestres de 2026, chegando a US$ 125,8 bilhões, ante US$ 36 bilhões um ano antes. Parte do avanço veio de IPOs de fabricantes de chips, como a chinesa CXMT, com oferta de US$ 9,8 bilhões.
Também houve operações de crédito de grande porte. A Blackstone concordou em fornecer US$ 63 bilhões em financiamento, em parceria com Bank of America, Citi e Morgan Stanley, para a compra de chips e equipamentos de rede da Broadcom pela Anthropic. Emmanuel Roman, CEO da PIMCO, disse que os negócios de financiamento de IA são atraentes.
Ainda não está claro até que ponto o mercado conseguirá absorver esses volumes se o custo do capital subir. Gray afirmou que o cenário deve desacelerar o ritmo dos investimentos, mas que a tendência geral aponta para mais aportes e para outras formas de capital.




