Um artigo de opinião publicado pelo jornalista Pedro Doria no O Globo sustenta que a inteligência artificial depende de profissionais experientes para ser avaliada. Segundo o texto, em março deste ano o número de horas trabalhadas por IAs na Anthropic superou o de horas trabalhadas por humanos.
A coluna cita dados da empresa, dona do modelo Claude. Em princípios de 2025, 27% das contratações da área técnica eram de funcionários juniores. Hoje, essa fatia seria de 9%. O tempo gasto em reuniões teria subido 20% ao longo de 2026.
O autor explica que, quando máquinas assumem boa parte da produção, o gargalo passa a ser verificar a qualidade do que foi feito. Nessa etapa, profissionais com mais experiência são os mais úteis, porque conseguem avaliar o resultado e orientar a tarefa seguinte.
Gestão mais rápida
Para o colunista, a gestão não muda de natureza, mas de ritmo. Questões que antes eram revisadas a cada dois anos passariam a exigir atenção mensal. Ele também cita o cofundador da Anthropic, Dario Amodei, que diria dedicar até 40% do tempo à cultura da empresa.
O texto menciona ainda um relatório do economista-chefe da gestora Apollo Global Management, Torsten Slok. Segundo a coluna, a receita por trabalhador cresce nas sete maiores empresas de tecnologia listadas em Wall Street, mas não nas outras 493 do índice S&P 500.
Pedro Doria argumenta que a automação, ao reduzir a contratação de iniciantes, pode criar uma crise futura, porque a formação de quem vai avaliar o trabalho das máquinas fica interrompida. Ele também aponta que empresas fora do setor de IA podem ter custos altos para adotar a tecnologia.
O que ainda não está claro
A coluna não detalha quais setores seguirão o mesmo modelo nem como as empresas pretendem formar novos profissionais. Os números citados vêm da própria empresa e de um relatório mencionado pelo autor, sem metodologia apresentada no texto.




