O mercado financeiro passou a apostar na manutenção da taxa Selic nesta semana, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Até então, a expectativa majoritária era de um corte de 0,25 ponto percentual no Comitê de Política Monetária (Copom), cuja decisão está prevista para a quarta-feira.

A mudança de perspectiva se deve ao aumento do risco fiscal e à alta do dólar, que subiu 9% na semana passada e fechou a R$ 5,44. A moeda mais cara pressiona a inflação, que o Banco Central busca combater. O IPCA está em 4,58% em 12 meses até setembro, acima da meta de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Parte da desvalorização do real foi vista como reposicionamento do mercado, já que a maioria apostava na vitória de Flávio Bolsonaro. Analistas também avaliam que há baixa expectativa de um ajuste fiscal robusto no novo governo.

Cenário externo e El Niño

Na reunião de setembro, o BC não deu sinais diretos sobre o ciclo de juros. O Copom tem adotado cautela e aguardado a evolução dos dados. Entre as incertezas citadas estão a guerra no Irã, o fenômeno El Niño e a política econômica do próximo governo.

Segundo o economista-chefe da Quantitas Asset, Ivo Chermont, as opções digitais de Copom negociadas na B3 indicavam, na última sexta-feira, 72% de chance de manutenção e 26% de corte de 0,25 ponto. Ele estava entre os economistas que passaram a prever manutenção da Selic em 13,75%, após previsão anterior de queda para 13,5%.

A consultoria Buysidebrazil elevou sua projeção de IPCA para 2027 de 3,9% para 4,7%, e a previsão de câmbio para o fim de 2026 e de 2027 passou de R$ 4,90 para R$ 5,40. O Itaú Unibanco também citou o aperto financeiro em economias desenvolvidas e a alta do petróleo no conflito no Oriente Médio como fatores adversos.

Ainda não está claro se a pausa será apenas pontual. Para o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, manter a Selic em novembro não significa o fim do ciclo de redução dos juros. Os próximos passos dependerão das expectativas de inflação, da atividade econômica e das projeções do Banco Central.