O mercado financeiro está dividido sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que começa sua reunião nesta terça-feira, 3. Levantamento do Projeções Broadcast com 75 instituições financeiras mostra quase um empate: 39 preveem corte de 0,25 ponto percentual na Selic, enquanto 36 apostam na manutenção da taxa em 13,75% ao ano.

Há consenso, porém, sobre o próximo passo. Para a maioria dos analistas, a Selic deve permanecer nesse patamar até o fim do ano, sem mudanças na última reunião, marcada para 8 e 9 de dezembro.

O cenário ficou mais incerto após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dólar subiu e os juros reagiram à desconfiança sobre os planos fiscais do novo mandato. O petróleo acima de US$ 110 o barril, pressionado por tensões no Oriente Médio, também aumenta o alerta contra novos cortes.

Economistas ouvidos pela reportagem divergem sobre o caminho. A EQI e o Inter veem mais uma redução de 0,25 ponto, mas o Inter espera uma pausa logo em seguida. Já a Tullett Prebon considera mais provável a manutenção, com o câmbio perto de R$ 5,40. A MAG Investimentos chegou a projetar dois cortes depois do primeiro turno, mas voltou a um cenário de juros estáveis após o segundo turno.

A inflação é o principal motivo de cautela. Analistas citam o efeito do El Niño, mudanças associadas à reforma tributária, o mercado de trabalho aquecido e possíveis pressões ligadas ao fim da escala 6x1. O Inter elevou de 3,9% para 5% sua estimativa de IPCA para 2027, e a MAG calcula que a projeção do Banco Central para o horizonte relevante pode subir de 3,2% para acima de 3,5%.

Ainda não se sabe se o Banco Central cortará a taxa nesta reunião ou se sinalizará uma pausa. Analistas afirmam que a atividade econômica mais fraca pode sustentar uma última redução, mas que a comunicação do órgão precisará ser mais clara sobre os motivos para cautela. A decisão deve indicar se o ciclo de cortes chegou ao fim.