O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou a Argentina em um avião na madrugada de quarta-feira (28), rumo aos Estados Unidos. A saída ocorreu quatro dias depois de começarem os rumores sobre a viagem. O senador havia sido derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de domingo (25). Até agora, o grau de envolvimento do governo de Javier Milei na operação não está claro.
Segundo reportagem do jornal argentino El Clarín, o assessor Santiago Caputo esteve em Porto Iguaçu na noite de terça-feira (27), cidade de onde o senador partiu. A publicação diz que Caputo acompanhou a operação desde o início, e que empresas ligadas à Embaixada dos Estados Unidos teriam contratado o voo. Caputo negou as acusações ao jornal La Nación.
Flávio é investigado no Brasil por crimes como lavagem de dinheiro. Ele foi notificado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre o cancelamento de seus passaportes, mas não os entregou no prazo. Segundo registros de órgãos argentinos e americanos, ele usou um passaporte italiano para entrar na Argentina e um passaporte diplomático brasileiro para entrar nos Estados Unidos.
O jato usado na saída é operado pela empresa Baires Fly S.A., citada em uma investigação de suspeita de lavagem de dinheiro com contratos públicos de medicamentos na Argentina. Esse caso provocou um escândalo no governo Milei em 2025 e levou à demissão de Diego Spagnuolo, ex-diretor de um órgão público. Veículos ligados a funcionários de uma entidade binacional da hidrelétrica de Yacyretá foram identificados em uma blitz em uma rodovia na madrugada de quarta-feira.
Uma denúncia da ex-correligionária de Milei Marcela Pagano pedia investigação sobre tráfico de pessoas e abuso de autoridade. O Tribunal Federal de Misiones arquivou o caso na sexta-feira (30), com base em relatórios da Interpol e do órgão de migração argentino, que não apontaram irregularidades na entrada do senador. Ainda assim, dois processos seguem em andamento, um contra Milei e integrantes do governo por encobrimento agravado e outro em Buenos Aires que apura se houve uso de recursos públicos na fuga.
Deputados de oposição também apresentaram projetos para convocar ministros ao Congresso. Esses pedidos precisam passar por uma comissão controlada por aliados de Milei e, depois, obter maioria na Câmara, onde o partido do presidente tem a maior bancada. Ainda não se sabe se o governo participará de eventuais explicações, nem se os processos em Buenos Aires terão avanço.




