Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira as eleições de meio de mandato com um número de observadores sem precedentes, tanto do governo quanto de grupos de defesa dos direitos civis. Organizações cívicas recrutaram dezenas de milhares de voluntários, treinados para registrar incidentes nas seções eleitorais, como intimidação de eleitores e a presença de agentes federais armados, o que é proibido por lei.

Harmeet Dhillon, chefe da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça (DOJ), afirmou no mês passado que o órgão enviaria 1.000 observadores ao país, o que classificou como o maior esforço de supervisão da história da pasta. A rede de rádio pública NPR confirmou que o DOJ enviará observadores a sete condados do Texas, ao condado de King, em Washington, ao condado de Miami-Dade, na Flórida, e aos condados de Hennepin e Ramsey, em Minnesota.

Legisladores democratas e defensores do direito de voto temem que observadores ligados ao governo de Donald Trump possam intimidar eleitores. As pesquisas indicam que os republicanos podem perder o controle do Congresso, em um pleito que já é tratado como um referendo sobre o presidente.

Iliana Allen, porta-voz do Save America Movement, grupo criado em 2025 para se opor às políticas de Trump, criticou a falta de transparência do governo sobre a localização e o número de observadores do DOJ. Segundo ela, em algumas localidades ainda não se sabe onde eles estarão. Ela também citou pedidos de aliados do governo para que agentes do ICE atuem nas seções eleitorais.

O Partido Democrata treinou 10.000 voluntários para vigiar os locais de votação e saber como agir se encontrarem agentes armados. A administração negou em diversas ocasiões que pretenda enviar agentes armados às urnas. Autoridades democratas, como prefeitos, procuradores-gerais e secretários de Estado, também fizeram simulações que incluem a presença do ICE e a possível apreensão de cédulas e equipamentos de votação.

Historicamente, as ações do DOJ em eleições buscam garantir que minorias raciais e grupos vulneráveis possam votar sem obstáculos. Neste ciclo, segundo as reportagens, o órgão atua de forma que favorece os republicanos. O DOJ já apresentou ações na Califórnia e no Alasca que podem afetar a contagem ou a certificação dos votos. Também foram recrutados promotores criminais como observadores, segundo a revista The Atlantic, o que levanta dúvidas sobre o uso desses registros, sobretudo em Arizona e Geórgia.

Ainda não está claro como os observadores do governo atuarão nas seções eleitorais nem qual será o alcance de suas funções. Entidades como Common Cause, a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e a LULAC também enviarão observadores para acompanhar a votação.